A história dos países atrasados nos séculos XIX e XX é a história da tentativa de alcançar o mundo mais avançado por meio de sua imitação. Os japoneses do século XIX tomavam a Europa como modelo; os europeus ocidentais, depois da Segunda Guerra Mundial, imitavam a economia norte-americana. A experiência da Europa Central e Oriental no século XX é, genericamente falando, a de tentar atualizar-se mediante a sucessiva adoção e fracasso de vários modelos. Depois de 1918, quando a maioria dos países sucessores constituía-se de países novos, o modelo foi o da democracia e do liberalismo econômico do Ocidente. O presidente Wilson – a estação principal de Praga está batizada novamente com o seu nome?− era o santo padroeiro da região, menos para os bolcheviques, que seguiam seu próprio caminho. (Na verdade, também eles tinham modelos estrangeiros: Rathenau e Henry Ford.) Isso não funcionou. Nos anos 20 e 30, o modelo entrou em colapso, em termos políticos e econômicos. A Grande Depressão acabou destruindo a democracia multinacional até mesmo na Tchecoslováquia.
(Eric Hobsbawm, “Dentro e fora da história”, In Sobre história. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 15)
A alternativa que apresenta, de modo claro e correto, adequado resumo das principais idéias do texto é:
Os países novos, depois de 1918, tentando progredir como os mais avançados, seguiam à risca os modelos eficientes, fossem da Europa, fossem norte-americanos, fossem democratas e liberais na economia, como o de Wilson (para alguns, para outros, não), e a Grande Depressão (de 20 a 30) provou que não era certo.
Nações atrasadas permaneceram nos séculos XIX e XX de sua história imitando a Europa, mais especificamente, além do modelo norte-americano, porque, depois de insucessos, restou a democracia e o liberalismo econômico, que, com o presidente Wilson – e alternativamente Ratheau e Ford −, fracassou com a Grande Depressão.
A específica questão dos japoneses e europeus ocidentais, depois da Segunda Guerra Mundial, constitui-se em imitar os modelos que elegiam como padrão de avanço e, com permanentes fracassos, optaram finalmente pela democracia e liberalismo econômico, que acabou por provocar o colapso do sistema nas décadas de 20 e 30.
Nos séculos XIX e XX, as nações atrasadas queriam o progresso, mas por via da imitação, cada uma elegendo seu modelo, quer europeu, quer norte-americano; no século passado, nem mesmo o modelo da democracia e do liberalismo econômico do Ocidente produziu êxito, pois ele conheceu a decadência nos anos 20 e 30.
As nações atrasadas nos séculos XIX e XX têm sua história marcada pelo progresso, mas sempre imitando paradigmas, o que produziu fracassos e acabou, no caso da Europa Central e Oriental, por abraçar a democracia e o liberalismo econômico do Ocidente, que também se revelou inconsistente.