TEXTO 9
A modalidade oral da língua tem estado fora dos programas de ensino da escola. Acredita-se que esse fato se deva à visão equivocada de que, como o aluno se expressa fluentemente na esfera do oral, não é necessário focalizar esse uso.
Outro fator que parece influenciar na decisão dos professores de não trabalhar com as práticas orais é a crença de que a escrita tem status superior à fala. Novo equívoco que acompanha o fazer pedagógico na área. De fato, nas sociedades letradas, a escrita possui um valor inestimável, entretanto a oralidade segue ao lado do desenvolvimento da escrita.
Sabe-se, por outro lado, que, em situações que exigem um certo grau de formalidade, nossos jovens têm grandes dificuldades no desempenho oral. Mesmo nas ocasiões de apresentação de trabalhos em sala de aula, é comum que os alunos se sintam embaraçados e “embaralhados” com o que têm a dizer. Portanto, os exercícios de oralidade não devem se ausentar das atividades escolares, especialmente quando se dirigem para o desempenho lingüístico em contextos mais formais, já que, na esfera do cotidiano, os alunos já dominam essa forma de expressão.
Na escola, portanto, é necessário que os alunos, cientes de que as situações de interação verbal se diferenciam também pelo grau de formalidade que exigem, aprendam a usar a modalidade oral da língua de acordo com o assunto tratado, com os papéis dos interlocutores e com a intenção comunicativa. Para isso, é importante que o professor proponha atividades de produção e interpretação de variados tipos de textos orais, de observação e análise de seus diferentes usos e de reflexão sobre os recursos que a língua apresenta para isso.
Marcuschi, Luiz Antônio. Critérios para ensino de língua com vistas a uma avaliação da redação de vestibular. Texto mimeografado, 2002. Adaptado.
Segundo o texto 9, a ausência de um trabalho consistente com a modalidade oral da língua, nas escolas, deve-se:
1. à deficiência do professor, em comparação com a expressão fluente do aluno, na esfera do oral.
2. à percepção, por parte da escola, de que essa modalidade não precisa ser trabalhada, uma vez que os alunos já a dominam.
3. à supervalorização que se dá à modalidade escrita, cujo domínio é cada vez mais exigido em nossa sociedade letrada.
4. à impotência da escola para fazer os jovens superarem as grandes dificuldades que apresentam no desempenho oral.
Estão corretas:
2 e 3, apenas.
1, 2 e 4, apenas
1 e 3, apenas.
2 e 4, apenas.
1, 3 e 4, apenas.