Imagem de fundo

Todas os comentários tecidos sobre o texto são adequados...

A vida em cliques

Era uma vidinha monótona sem perspectivas: medíocre emprego numa em-presa, as conversas inconseqüentes com os amigos, o trânsito congestionado. Mas aí ele voltava para casa e podia, enfim, viver uma aventura.

Na Internet, claro. Navegador infatigável, percorrera um território humano desconhecido e às vezes inquietante, até encontrá-la, primeiro em uma sala de bate-papo, depois em mensagens privadas. Conhecia-a apenas por Solly (Solitária?) e pouco sabia de sua vida. Mas eram, sim, almas-irmãs. Partilha-vam os mesmos gostos, as mesmas inquietudes, as mesmas secretas aspira-ções. E ficavam horas trocando mensagens.

Quem não gostava, naturalmente, era a mulher. Estavam casados havia oito anos, não tinham filhos. Ela também trabalhava, claro - como sustentar uma casa e a Internet , com um emprego só? - e também tinha o seu quinhão de amargura. Que despejava no marido: você fica aí nessa Internet e não dá bola pra mim, não tenho com quem falar. Por isso, quando ela chegava do emprego, lá pelas dez da noite, ele tinha de precipitadamente desligar o com-putador. Clique: lá se ia a Solly. Lá se ia a única pessoa que para ele tinha importância.

Ah, se pudesse fazer o mesmo com a mulher. Se houvesse um dispositi-vo eletrônico capaz de fazer as criaturas sumirem... Tudo o que ele teria de fazer era dar um clique, e pronto, a incômoda esposa estaria deletada de sua existência.

Momentaneamente, claro. Porque a verdade é que não podia viver sem ela. Acostumara-se, pronto, sentia falta dela. De modo que seu dispositivo eletrônico permitira que, quando necessário, ele a acessasse.

Seria a vida perfeita. Seria? Não. Porque numa dessas vezes a mulher retornaria do ciberes-paço com um vírus qualquer. Um vírus que a faria, por exemplo, muito atraen-te aos olhos do vizinho do lado. Ou seja: um vírus que tornaria a sua vida in-compreensível, infernal. Nem tudo,

Todas os comentários tecidos sobre o texto são adequados, EXCETO.


A
A narrativa é desenvolvida por narrador-personagem; essa figura, além de contar a história, atua como uma das personagens na trama narrativa.

B
O narrador define-se como uma figura onisciente. É um ser que conhece tudo sobre as personagens, isto é, através dele somos informados, por exemplo, sobre o estado de espírito das personagens, seus sentimentos, intenções e pensamentos

C
A despeito de o texto ser uma crônica literária, pode-se, a partir do que nele é representado, refletir sobre situações que afligem as pessoas na vida cotidiana

D
O texto é uma crônica cuja trama narrativa envolve situações e dilemas semelhantes aos que se encontram na vida cotidiana