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Sonhos resolvem problemas práticos, estimulam a criatividade e, sozinhos, já servem como uma terapia noturna.
Imagine dois pontinhos. Agora, que você está acordado, eles vão ser só dois pontinhos mesmo. Mas no sono profundo é diferente. Se uma parte do cérebro imagina isso, a outra área fica inspirada e cria um par de olhos. Mais outra pega e coloca esses olhos numa face. Se o rosto sair feio, a área mais burra da mente se assusta. E solta um comando mandando você correr. Começa o enredo de um sonho. Louco, mas a realidade não é muito sã. Pense em alguma coisa estúpida. "Martelo" por exemplo. Não existe nenhum lugar em sua cabeça com a definição da palavra "martelo". Tudo o que há é um mosaico de referências: a dor no dedo depois de uma martelada infeliz, a imagem da caixa de ferramentas do seu avô... Elas só se juntam de vez em quando para formar uma ideia sólida, igual acontece com os tijolos mentais que constroem os sonhos. A realidade e o sonhar, na verdade, se completam. E a ciência está descobrindo que uma não existe sem a outra.
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Para Stickgold, essas imagens mentais eram apenas uma sombra do que o cérebro dos voluntários fazia de verdade. E o que ele fazia era processar o labirinto no meio da balbúrdia dos sonhos. No caso do rapaz que sonhou com a caverna, por exemplo, estava claro que o jogo se fundia às memórias antigas dele. Era como se a experiência nova, a de aprender a se virar no labirinto, estivesse entrando no meio da escola de samba desgovernada.
A teoria de Freud: os sonhos são a manifestação de desejos reprimidos. Ponto. Vários sonhos de fato, parecem ser isso mesmo. Se você está com sede, provavelmente vai sonhar que está bebendo água.
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Stickgold imagina que, quando o cérebro digere alguma experiência dessa forma, ele faz algo especial: extrai o que há de mais importante nessa experiência. Aí ela fica mais compreensível. E você aprende algo novo sem se dar conta.
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Para o neurocientista, isso acontece com tudo o que o cérebro capta. Nada deixa de passar pela festa dos sonhos. É nela que peças do presente se encaixam com as do passado, formando a imagem mental que temos do mundo. Nessa imagem está tudo o que você sabe, do significado da palavra "martelo" até seus amores e traumas.
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Não há uma prova definitiva de que é assim mesmo que tudo funciona. Mas as experiências de laboratório indicam que sim. E as da vida real também. É comum, por exemplo, acordar com uma ideia nova. Prontinha. Já aconteceu com você? Com Paul McCartney aconteceu. Numa manhã de 1965, ele acordou com uma música na cabeça, foi para o piano e tirou a melodia. Ficou estarrecido. "Não acreditava que ela pudesse ser minha" , disse. Era sim. E acabou gravada com o nome de Yesterday. Coincidência uma obra onírica ter virado o maior sucesso comercial da maior banda da história? Talvez não. Satisjaction, a mais célebre dos Stones, também apareceu num sonho - de Keith Richards.
Revista Superinteressante - por Alexandre Versignassi
Dentre as explicações do texto, NÃO se pode concluir:
A expressão: “Tudo o que há é um mosaico de referências” é um termo anafórico de martelo;
Entende-se que a teoria Freudiana não estava completamente correta, pois a expressão: provavelmente, deixa esta incerteza;
A expressão: “Tudo o que há é um mosaico de referências” é um termo catafórico de martelo;
O termo em destaque pode ser classificado como um adjunto adverbial de ligar. [...] ele acordou com uma música na cabeça.