Rodolfo Ilari e Renato Basso, em O português da gente, afirmam que:
Além de nos trazerem importantes informações históricas sobre a época em que foram escritos, anúncios como esses nos dão também muitas informações sobre a língua da época [...].
Uma análise da linguagem do anúncio do Atheneo que corrobora essa afirmação é a seguinte:
O vocabulário do século XIX, apesar de não ser incompreensível no século XXI, apresenta algumas especificidades, ou porque se empregavam palavras ainda hoje comuns em acepções distintas (v. collocado, linha 1), ou porque se utilizavam itens de improvável ocorrência em textos atuais (v. ourinol, linha 18).
Apesar de não haver diferenças em relação à ordem sintática atualmente impressa aos termos de uma oração, notam-se inusitados deslizes de concordância no texto oitocentista, como em pagarão por mez adiantados 20$000 e em nove e meia horas da manhã.
O uso enclítico do pronome pessoal em terminar-se-hão constitui marca característica da Língua Portuguesa do final do século XIX, expurgada até mesmo dos registros mais formais da modalidade escrita do Português do Brasil do século XXI.
Diferenças entre a ortografia daquele século e a atual atestam que a pronúncia de certas palavras era diferente, seja no que diz respeito à quantidade de segmentos fônicos, seja no que se refere à tonicidade das sílabas; é o caso de applicados, illustrados, dansa, musica, tambem, por exemplo.
As frases Ensina-se também o allemão e Ensinam-se todos os preparatórios ilustram uma permanência: no século XIX e no atual, elas superficializam diferentes organizações sintáticas subjacentes, por tratar-se, em um caso, de construção passiva e, no outro, de construção com sujeito indeterminado.