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Segundo Alceu Amoroso Lima, "a palavra é o elemento...

LEIA OS TEXTOS A SEGUIR PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES DE 31 A 38.

A ESCOLHA DAS PALAVRAS


A eficiência de uma comunicação lingüística depende, em última análise, da escolha adequada das palavras, e a arte de bem falar e escrever é chamada, com razão, a arte da palavra.

Essa escolha é, em regra, muito mais delicada e menos simples do que à primeira vista poderia parecer.

O sentido de uma palavra não é essencialmente uno nitidamente delimitado e rigorosa-mente privativo dela, à maneira de um símbolo matemático.

Há uma complexidade imanente, que se apresenta sob diversos aspectos.

(...)

Em matéria de sinonímia, é preciso, antes de tudo, ressalvar que não há a rigor o que muitas gramáticas chamam de sinônimos perfeitos: eles só existem como tais nas listas dessas gramáticas. Todos decorrem das significações diversas que adquire uma mesma coisa, de acordo com os diversos interesses que têm para nós.

(...)

(CÂMARA JR., J.M.Manual de expressão oral e escrita. Rio de Janeiro: J.Ozon, 1961.)


Procura da Poesia


Não faças versos sobre acontecimentos.

Não há criação nem morte perante a poesia.

Diante dela, a vida é um sol estático,

não aquece nem ilumina.

As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.

Não faças poesia com o corpo,

esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou dor no escuro

são indiferentes.

Não me reveles teus sentimentos,

que se prevalecem de equívoco e tentam a longa viagem.

O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.

(...)

Penetra surdamente no reino das palavras.

Lá estão os poemas que esperam ser escritos.

Estão paralisados, mas não há desespero,

há calma e frescura na superfície intacta

Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.

Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.

Espera que cada um se realize e consume

Com teu poder de palavra

E seu poder de silêncio.

(...)

Chega mais perto e contempla as palavras.

Cada uma

Tem mil faces secretas sob a face neutra

E te pergunta, sem interesse pela resposta,

Pobre ou terrível que lhes deres:

Trouxeste a chave?

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião:

19 livros de poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 1987.)

Segundo Alceu Amoroso Lima, "a palavra é o elemento material intrínseco do homem de letras para realizar sua natureza e alcançar seu objetivo artístico". Afirma Ezra Pound: "a literatura é a linguagem carregada de significado até o máximo grau possível". É exatamente sobre a palavra e sua carga significativa que se faz a reflexão de Drummond em Procura da Poesia. Ao relacionar e refletir sobre essas três afirmativas, e retomando o poema, o professor, pode, acertadamente, levar seu aluno a deduzir que:

1- o poeta nos ensina que se faz literatura apenas falando sobre acontecimentos ou resgatando subjetivamente a infância ou idealizando. Literatura se faz só com idéias e sentimentos: "O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia".

2- "Ainda não é poesia", mas pode vir a ser. Para isso, é preciso penetrar "surdamente no reino das palavras", "lá estão os poemas que esperam ser escritos". Ainda não são poemas, porque "estão paralisados", "sós e mudos, em estado de dicionário".

3- as palavras em "estado de dicionário", ou seja, fora de contexto, têm apenas o sentido denotativo, frio e impessoal. Se contemplarmos as palavras atentamente, de perto, perceberemos que cada uma tem mil faces secretas (conotação) sob a face neutra (denotação).

A afirmativa correta está em:


A

1, 2 e 3.


B

2 e 3, apenas.


C

3, apenas.


D

1, apenas.