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Leia os textos a seguir para responder às questões de 01 a 12.
Texto I :
Os últimos anos do século XX testemunharam
grandes mudanças em toda a face da Terra. O mundo
torna-se unificado em virtude das novas condições
técnicas, bases sólidas para uma ação humana
5 mundializada. Esta, entretanto, impõe-se à maior parte
da humanidade como uma globalização perversa.
Consideramos, em primeiro lugar, a emergência de
uma dupla tirania, a do dinheiro e a da informação,
intimamente relacionadas. Ambas, juntas, fornecem as
10 bases do sistema ideológico que legitima as ações
mais características da época e, ao mesmo tempo,
buscam conformar, segundo um novo ethos, as
relações sociais e interpessoais, influenciando o
caráter das pessoas. A competitividade, sugerida pela
15 produção e pelo consumo, é a fonte de novos
totalitarismos, mais facilmente aceitos graças à
confusão dos espíritos que se instala. Tem as mesmas
origens a produção, na base mesma da vida social, de
uma violência estrutural, facilmente visível nas formas
20 de agir dos Estados, das empresas e dos indivíduos. A
perversidade sistêmica é um dos seus corolários.
Dentro desse quadro, as pessoas sentem-se
desamparadas, o que também constitui uma incitação
a que adotem, em seus comportamentos ordinários,
25 práticas que alguns decênios atrás eram moralmente
condenadas. Há um verdadeiro retrocesso quanto à
noção de bem público e de solidariedade, do qual é
emblemático o encolhimento das funções sociais e
políticas do Estado com a ampliação da pobreza e os
30 crescentes agravos à soberania, enquanto se amplia o
papel político das empresas na regulação da vida social.
SANTOS, Milton. Uma globalização perversa. Por uma outra
globalização: do pensamento único à consciência universal. 2. ed.
Rio de Janeiro; São Paulo: Record, 2000. p. 104-105.
Texto II :
Todas as coisas de que falo estão na cidade
entre o céu e a terra.
São todas elas coisas perecíveis
e eternas como o teu riso
5____ a palavra solidária
minha mão aberta
ou este esquecido cheiro de cabelo
que volta
e acende sua flama inesperada
10 no coração de maio.
Todas as coisas de que falo são de carne
como o verão e o salário.
Mortalmente inseridas no tempo,
estão dispersas como o ar
15 no mercado, nas oficinas,
nas ruas, nos hotéis de viagem.
São coisas, todas elas,
cotidianas, como bocas
e mãos, sonhos, greves,
20___denúncias,
acidentes do trabalho e do amor. Coisas,
de que falam os jornais,
às vezes tão rudes
às vezes tão escuras
25 que mesmo a poesia as ilumina com dificuldade.
Mas é nelas que te vejo pulsando,
mundo novo,
ainda em estado de soluços e esperança.
GULLAR, Ferreira. Coisas da terra. Toda poesia: 1950-1980. 2. ed. Rio
de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981. p. 237.
Há uma afirmação correta sobre o termo transcrito do Texto I na alternativa
""a"", no fragmento "em toda a face da Terra" (linha 2), por ter valor expletivo, pode ser retirado do contexto, sem prejuízo de qualquer natureza.
""em virtude de [as]", no trecho "em virtude das novas condições técnicas" (linhas 3 e 4), possui o mesmo valor semântico que "graças a [a]", em "graças à confusão dos espíritos" (linhas 16 e 17).
""a"", em "a do dinheiro e a da informação" (linha 8), nas duas ocorrências, resgata a palavra "emergência" (linha 7).
""mais", em "mais facilmente aceitos" (linha 16), é um indicador de quantidade.
""também", no fragmento "o que também constitui uma incitação" (linha 23), denota conclusão.