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Cem anos depois, a Semana de Arte Moderna de 1922 continua a despertar interesse e divergência de opiniões: “Não é a Semana que sustenta sua força, mas sim os seus vetores futuros de Andrades, Malfattis e Bandeiras. A Semana em si, como todo mito de fundação, torna-se uma narrativa em repetição que demarca um espaço-tempo de algo antes e além” (COELHO, 2021, 33), esclarece Coelho. Algumas das mais importantes Instituições culturais brasileiras estão com uma vasta programação para lembrar o Centenário da Semana de Arte Moderna, que acontece em 2022. O Museu de Arte Modena do Rio de Janeiro (MAM) promoverá, no período de 2 de julho de 2022 a 29 de janeiro de 2023, a exposição
“Nakoada”, com curadoria de Denilson Baniwa e Beatriz Lemos. Denilson é um dos nomes mais representativos da arte indígena contemporânea. Lê-se no site do Museu o seguinte comentário acerca da exposição: “Nakoada é parte do conjunto de éticas de guerra Baniwa. Em seu vasto campo de significados, Nakoada seria o estudo e profundo entendimento de outra cultura para exercer a habilidade de capturar conhecimentos não-indígenas e construir narrativas que sejam radicais na continuidade da vida e dos saberes indígenas. “Em outras palavras, uma contra-antropofagia ou re-antropofagia”, explica Beatriz Lemos”.
No que se refere ao que representou a Semana para a Arte brasileira, as comemorações do Centenário demonstram o reconhecimento de sua importância. Entretanto, reitera-se a crítica:
Ao surgimento de um novo paradigma para as artes, que recoloca o Brasil no cenário mundial, ao atualizar o modelo de referência estética baseado nas vanguardas europeias.
À propagação de ideais totalitários, tais como àquelas protagonizados pelos futuristas, que inspiraram o grupo modernista que organizou a Semana de 1922.
À exclusão de outras renovações estéticas que estavam acontecendo pelo país, cuja importância foi relegada por aqueles, que consideraram, a Semana, o marco inicial do surgimento de novas tendências modernistas no país.
Ao apoio das oligarquias cafeeiras, que permitiu e, até, patrocinou a realização da Semana de arte moderna, em um palco frequentado pela elite paulista.
O falso pensamento sobre um relativo período de calmaria na produção nacional, motivado pela ampla aceitação da Semana como um evento nacional.