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O primitivismo, como tendência estética, despontou nas vanguardas do século XX como o interesse pelas culturas de povos autóctones e se tornou um dos pilares do modernismo. Esse motivo ‐ que para os artistas europeus traduziu-se na concepção de que outras culturas, chamadas de “primitivas” conservariam a pureza de suas características originarias, por estarem mais distante do desenvolvimento da civilização ‐ foi incorporada ao modernismo brasileiro, a partir do contato de Oswald de Andrade com artistas primitivistas das vanguardas europeias, conforme descreve Paulo Prado no prefácio do livro Poesia Pau-Brasil:
“A poesia "pau-brasil" é o ovo de Colombo - esse ovo, como dizia um inventor meu amigo, em que ninguém acreditava e acabou enriquecendo o genovês. Oswald de Andrade, numa viagem a Paris, do alto de um atelier da Place Clichy - umbigo do mundo -descobriu, deslumbrado, a sua própria terra. A volta à pátria confirmou, no encantamento das descobertas manuelinas, a revelação surpreendente de que o Brasil existia. Esse fato, de que alguns já desconfiavam, abriu seus olhos à visão radiosa de um mundo novo, inexplorado e misterioso. Estava criada a poesia "pau-brasil” (p.67)
No continente americano, as populações ameríndias seriam esses povos autóctones, portanto, o primitivismo brasileiro protagonizado pelo movimento Antropofágico de Oswald se configurou:
No reconhecimento do indianismo romântico de Gonçalves Dias e José de Alencar, considerado inspirador como representação da identidade brasileira.
Na reinterpretação do indianismo romântico, que identifica na figura do índio o herói nacional.
Na modernização das antigas representações dos povos ameríndios.
No surgimento de novo indianismo, agora com a configuração mais realista, com bases antropológicas, desconstruindo a figura do índio romantizado.
No distanciamento dos modelos europeus pela idealização de um modelo de brasilidade, inspirado na arte dos povos indígenas.