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Violência
Maria chega para a entrevista com a assistente social, entra na sala devagar e com o olhar percorre todo o local. Senta-se, cruza as pernas, aperta a bolsa junto ao peito. Mantém-se imóvel por alguns instantes, depois abaixa os olhos e começa a falar: “Não sei como pôde acontecer isso, como não percebi? Trabalho tanto que não dei conta do que se passava em minha própria casa. Agora não consigo trabalhar direito, acho que vou ser despedida... Minha filha só tem nove anos! Sempre tão alegre, tão bonita... De alguns meses pra cá, ela começou a ficar diferente, irritava-se com qualquer coisa, quando eu dava bronca, ela queria me bater. Como não percebi que ela queria me dizer algo? Pedia para ir trabalhar comigo, chegava a chorar, mas eu não podia levá-la e aí ela pedia que eu faltasse, achava que ela estava carente e explicava que no fim de semana eu não iria trabalhar e ficaria em casa com ela. Quando eu retornava do trabalho, ela ficava o tempo todo a meu lado; eu estava tão cansada que mandava ela dormir. Mas ela acordava à noite aos berros, não era fácil acalmá-la, às vezes vomitava ou se urinava. Achei que deveria levá-la ao médico, poderia ser alguma infecção, ela não sabia explicar onde doía. Examinando-a, a médica percebeu que ela havia sido abusada sexualmente. Fiquei estarrecida e perguntei à minha filha, naquele instante, quem poderia ter feito isso. Ela respondeu chorando: foi o papai”.
Márcia R. Cavalhero Garcia, 2002 (com adaptações).
Acerca do tema tratado no texto acima, julgue os itens a seguir.
Acreditar na criança, mas não oficializar a denúncia com o objetivo de garantir a proteção da vítima e da família, é essencial no combate a esse tipo de violência.