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Desde a formulação do catastrofismo de Georges Cuvier, que consagrou a noção de extinção como fato científico, até a síntese evolutiva moderna articulada por Theodosius Dobzhansky, Ernst Mayr e George Gaylord Simpson, os fósseis deixaram de figurar como curiosidades naturais e passaram a constituir documentos materiais de alta densidade epistêmica. Sua relevância ultrapassa a dimensão empírica e envolve articulação com teorias geológicas, biológicas e evolutivas, permitindo construir narrativas sobre ancestralidade, transformação e continuidade da vida. Nesse quadro, qual proposição traduz de maneira mais consistente a função epistemológica dos fósseis na história da biologia evolutiva?
Os fósseis devem ser concebidos como testemunhos materiais que, embora enraizados em contextos estratigráficos específicos, adquiriram força explicativa ao serem integrados em matrizes conceituais da geologia e da biologia evolutiva.
Os fósseis devem ser interpretados como registros empíricos cuja análise legitimou a passagem de concepções fixistas para modelos dinâmicos de transformação, fundamentando a aceitação científica da extinção biológica.
Os fósseis devem ser compreendidos como evidências estruturantes que, ao serem articuladas a teorias do catastrofismo, da seleção natural e da síntese neodarwinista, consolidaram seu papel central na biologia evolutiva moderna.
Os fósseis podem ser analisados como construções discursivas elaboradas por práticas de naturalistas e paleontólogos, assumindo estatutos diversos que oscilaram entre curiosidade, evidência científica e recurso pedagógico.
Os fósseis podem ser considerados elementos de mediação cultural e científica, atuando simultaneamente como suporte de investigações acadêmicas e instrumentos de legitimação pública das narrativas evolucionistas modernas.