Questões de Concursos Câmara de Capanema - PR (Câmara de Capanema/PR)

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Questão de Concurso - 1197621

Concurso Câmara de Capanema Agente Administrativo 2017

Questão 1

Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP)

Nível Médio

LEIA ATENTAMENTE O TEXTO ABAIXO PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES DE 1 A 10.


O outro Brasil


1Houve um tempo em que sonhei coisas — não foi ser eleito senador federal nem

2 nada, eram coisas humildes e vagabundas que entretanto não fiz, nem com certeza farei.

3 Era, por exemplo, arrumar um barco de uns quinze, vinte metros de comprido, com motor e

4 vela, e sair tocando devagar por toda a costa do Brasil, parando para pescar, vendendo

5 banana ou comprando fumo de rolo, não sei, me demorando em todo portinho simpático —

6 Barra de São João, Piúma, Regência, Conceição da Barra, Serinhaém, Turiaçu, Curuçá,

7 Ubatuba, Garopaba — ir indo ao léu, vendo as coisas, conversando com as pessoas — e

8 fazer um livro tão simples, tão bom, que até talvez fosse melhor não fazer livro nenhum,

9 apenas ir vivendo devagar a vida lenta dos mares do Brasil, tomando a cachacinha de cada

10 lugar, sem pressa e com respeito. Isso devia ser bom, talvez eu me tornasse conhecido

11 como um homem direito, cedendo anzóis pelo custo e comprando esteiras das mulheres dos

12 pescadores, aprendendo a fazer as coisas singelas que vivem fora das estatísticas e dos

13 relatórios — quantos monjolos há no Brasil, quantos puçás e paris? Sim, entraria pelos rios

14 lentamente, de canoa, levando aralém, que poderia trocar por toscas amanteigadas,

15 pamonha ou beiju, pois ainda há um Brasil bom que a gente desperdiça de bobagem, um

16 Brasil que a gente deixa para depois, e entretanto parece que vai acabando; tenho ouvido

17 falar em tanques de carpa, entretanto meu tio Cristóvão na fazenda da Boa Esperança tinha

18 um pequeno açude no ribeirão onde criava cascudos, tem dias que dá vontade de beber

19 jenipapina.

20 Já tomei muito avião para fazer reportagem, mas o certo não é assim, é fazer como

21 Saint-Hilaire ou o Príncipe Maximiliano, ir tocando por essas roças de Deus a cavalo, nada

22 de Rio-Bahia, ir pelos caminhos que acompanham com todo carinho os lombos e curvas da

23 terra, aceitando uma caneca de café na casa de um colono. Só de repente a gente se

24 lembra de que esse Brasil ainda existe, o Brasil ainda funciona a lenha e lombo de burro, as

25 noites do Brasil são pretas com assombração, dizem que ainda tem até luar no sertão, até

26 capivara e suçuarana — não, eu não sou contra o progresso ("o progresso é natural") mas

27 uma garrafinha de refrigerante americano não é capaz de ser como um refresco de

28 maracujá feito de fruta mesmo — o Brasil ainda tem safras e estações, vazantes e

29 piracemas com manjuba frita, e a lua nova continua sendo o tempo de cortar iba de bambu

30 para pescar piau. E como ainda há tanta coisa, quem sabe que é capaz de haver uma

31 mulher também, uma certa mulher que ainda seja assim, modesta porém limpinha, com os

32 cabelos ainda molhados de seu banho de rio, parece que até banho de cachoeira ainda

33 existe, até namoro debaixo de pitangueiras como antigamente, muito antigamente.


BRAGA, Rubem. Crônicas do Espírito Santo. São Paulo: Global, 2013, p. 11-12.

O texto “O Outro Brasil” é uma crônica em que Rubem Braga

  • A.

    elabora uma reflexão de alcance geral com base em fatos políticos.

  • B.

    descreve, com nostalgia e lirismo, lugares, hábitos e cenas que lhe são caros.

  • C.

    apresenta, com sarcasmo e pessimismo, sua visão da realidade de sua época.

  • D.

    defende explicitamente sua opinião, com base em argumentos racionais e convincentes, sobre o outro Brasil.

Questão de Concurso - 1197625

Concurso Câmara de Capanema Agente Administrativo 2017

Questão 2

Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP)

Nível Médio

LEIA ATENTAMENTE O TEXTO ABAIXO PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES DE 1 A 10.


O outro Brasil


1Houve um tempo em que sonhei coisas — não foi ser eleito senador federal nem

2 nada, eram coisas humildes e vagabundas que entretanto não fiz, nem com certeza farei.

3 Era, por exemplo, arrumar um barco de uns quinze, vinte metros de comprido, com motor e

4 vela, e sair tocando devagar por toda a costa do Brasil, parando para pescar, vendendo

5 banana ou comprando fumo de rolo, não sei, me demorando em todo portinho simpático —

6 Barra de São João, Piúma, Regência, Conceição da Barra, Serinhaém, Turiaçu, Curuçá,

7 Ubatuba, Garopaba — ir indo ao léu, vendo as coisas, conversando com as pessoas — e

8 fazer um livro tão simples, tão bom, que até talvez fosse melhor não fazer livro nenhum,

9 apenas ir vivendo devagar a vida lenta dos mares do Brasil, tomando a cachacinha de cada

10 lugar, sem pressa e com respeito. Isso devia ser bom, talvez eu me tornasse conhecido

11 como um homem direito, cedendo anzóis pelo custo e comprando esteiras das mulheres dos

12 pescadores, aprendendo a fazer as coisas singelas que vivem fora das estatísticas e dos

13 relatórios — quantos monjolos há no Brasil, quantos puçás e paris? Sim, entraria pelos rios

14 lentamente, de canoa, levando aralém, que poderia trocar por toscas amanteigadas,

15 pamonha ou beiju, pois ainda há um Brasil bom que a gente desperdiça de bobagem, um

16 Brasil que a gente deixa para depois, e entretanto parece que vai acabando; tenho ouvido

17 falar em tanques de carpa, entretanto meu tio Cristóvão na fazenda da Boa Esperança tinha

18 um pequeno açude no ribeirão onde criava cascudos, tem dias que dá vontade de beber

19 jenipapina.

20 Já tomei muito avião para fazer reportagem, mas o certo não é assim, é fazer como

21 Saint-Hilaire ou o Príncipe Maximiliano, ir tocando por essas roças de Deus a cavalo, nada

22 de Rio-Bahia, ir pelos caminhos que acompanham com todo carinho os lombos e curvas da

23 terra, aceitando uma caneca de café na casa de um colono. Só de repente a gente se

24 lembra de que esse Brasil ainda existe, o Brasil ainda funciona a lenha e lombo de burro, as

25 noites do Brasil são pretas com assombração, dizem que ainda tem até luar no sertão, até

26 capivara e suçuarana — não, eu não sou contra o progresso ("o progresso é natural") mas

27 uma garrafinha de refrigerante americano não é capaz de ser como um refresco de

28 maracujá feito de fruta mesmo — o Brasil ainda tem safras e estações, vazantes e

29 piracemas com manjuba frita, e a lua nova continua sendo o tempo de cortar iba de bambu

30 para pescar piau. E como ainda há tanta coisa, quem sabe que é capaz de haver uma

31 mulher também, uma certa mulher que ainda seja assim, modesta porém limpinha, com os

32 cabelos ainda molhados de seu banho de rio, parece que até banho de cachoeira ainda

33 existe, até namoro debaixo de pitangueiras como antigamente, muito antigamente.


BRAGA, Rubem. Crônicas do Espírito Santo. São Paulo: Global, 2013, p. 11-12.

Leia os enunciados a seguir.


I. O sonho do autor era seguir carreira política e tornar-se um homem direito.

II. O autor evoca um Brasil que ele conheceu antes e que ainda está muito vivo em sua memória.

III. Na contrapartida do sonho do autor está também seu desejo de tornar-se senador federal do Brasil.

IV. No início do texto, Rubem Braga dá a entender que não tem mais esperança de um dia realizar seus sonhos.


As afirmações que contêm interpretações permitidas pelo texto são

  • A.

    II e III.

  • B.

    II e IV.

  • C.

    I, II e IV.

  • D.

    I, III e IV.

Questão de Concurso - 1197627

Concurso Câmara de Capanema Agente Administrativo 2017

Questão 3

Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP)

Nível Médio

LEIA ATENTAMENTE O TEXTO ABAIXO PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES DE 1 A 10.


O outro Brasil


1Houve um tempo em que sonhei coisas — não foi ser eleito senador federal nem

2 nada, eram coisas humildes e vagabundas que entretanto não fiz, nem com certeza farei.

3 Era, por exemplo, arrumar um barco de uns quinze, vinte metros de comprido, com motor e

4 vela, e sair tocando devagar por toda a costa do Brasil, parando para pescar, vendendo

5 banana ou comprando fumo de rolo, não sei, me demorando em todo portinho simpático —

6 Barra de São João, Piúma, Regência, Conceição da Barra, Serinhaém, Turiaçu, Curuçá,

7 Ubatuba, Garopaba — ir indo ao léu, vendo as coisas, conversando com as pessoas — e

8 fazer um livro tão simples, tão bom, que até talvez fosse melhor não fazer livro nenhum,

9 apenas ir vivendo devagar a vida lenta dos mares do Brasil, tomando a cachacinha de cada

10 lugar, sem pressa e com respeito. Isso devia ser bom, talvez eu me tornasse conhecido

11 como um homem direito, cedendo anzóis pelo custo e comprando esteiras das mulheres dos

12 pescadores, aprendendo a fazer as coisas singelas que vivem fora das estatísticas e dos

13 relatórios — quantos monjolos há no Brasil, quantos puçás e paris? Sim, entraria pelos rios

14 lentamente, de canoa, levando aralém, que poderia trocar por toscas amanteigadas,

15 pamonha ou beiju, pois ainda há um Brasil bom que a gente desperdiça de bobagem, um

16 Brasil que a gente deixa para depois, e entretanto parece que vai acabando; tenho ouvido

17 falar em tanques de carpa, entretanto meu tio Cristóvão na fazenda da Boa Esperança tinha

18 um pequeno açude no ribeirão onde criava cascudos, tem dias que dá vontade de beber

19 jenipapina.

20 Já tomei muito avião para fazer reportagem, mas o certo não é assim, é fazer como

21 Saint-Hilaire ou o Príncipe Maximiliano, ir tocando por essas roças de Deus a cavalo, nada

22 de Rio-Bahia, ir pelos caminhos que acompanham com todo carinho os lombos e curvas da

23 terra, aceitando uma caneca de café na casa de um colono. Só de repente a gente se

24 lembra de que esse Brasil ainda existe, o Brasil ainda funciona a lenha e lombo de burro, as

25 noites do Brasil são pretas com assombração, dizem que ainda tem até luar no sertão, até

26 capivara e suçuarana — não, eu não sou contra o progresso ("o progresso é natural") mas

27 uma garrafinha de refrigerante americano não é capaz de ser como um refresco de

28 maracujá feito de fruta mesmo — o Brasil ainda tem safras e estações, vazantes e

29 piracemas com manjuba frita, e a lua nova continua sendo o tempo de cortar iba de bambu

30 para pescar piau. E como ainda há tanta coisa, quem sabe que é capaz de haver uma

31 mulher também, uma certa mulher que ainda seja assim, modesta porém limpinha, com os

32 cabelos ainda molhados de seu banho de rio, parece que até banho de cachoeira ainda

33 existe, até namoro debaixo de pitangueiras como antigamente, muito antigamente.


BRAGA, Rubem. Crônicas do Espírito Santo. São Paulo: Global, 2013, p. 11-12.

Rubem Braga constrói seu texto com base na ideia de que existem dois brasis diferentes. O Brasil que ele sutilmente critica é

  • A.

    o das estatísticas e dos relatórios.

  • B.

    aquele que ainda tem safras e estações.

  • C.

    o que funciona a lenha e lombo de burro.

  • D.

    aquele em que se vive sem pressa e com respeito.

Questão de Concurso - 1197629

Concurso Câmara de Capanema Agente Administrativo 2017

Questão 4

Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP)

Nível Médio

LEIA ATENTAMENTE O TEXTO ABAIXO PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES DE 1 A 10.


O outro Brasil


1Houve um tempo em que sonhei coisas — não foi ser eleito senador federal nem

2 nada, eram coisas humildes e vagabundas que entretanto não fiz, nem com certeza farei.

3 Era, por exemplo, arrumar um barco de uns quinze, vinte metros de comprido, com motor e

4 vela, e sair tocando devagar por toda a costa do Brasil, parando para pescar, vendendo

5 banana ou comprando fumo de rolo, não sei, me demorando em todo portinho simpático —

6 Barra de São João, Piúma, Regência, Conceição da Barra, Serinhaém, Turiaçu, Curuçá,

7 Ubatuba, Garopaba — ir indo ao léu, vendo as coisas, conversando com as pessoas — e

8 fazer um livro tão simples, tão bom, que até talvez fosse melhor não fazer livro nenhum,

9 apenas ir vivendo devagar a vida lenta dos mares do Brasil, tomando a cachacinha de cada

10 lugar, sem pressa e com respeito. Isso devia ser bom, talvez eu me tornasse conhecido

11 como um homem direito, cedendo anzóis pelo custo e comprando esteiras das mulheres dos

12 pescadores, aprendendo a fazer as coisas singelas que vivem fora das estatísticas e dos

13 relatórios — quantos monjolos há no Brasil, quantos puçás e paris? Sim, entraria pelos rios

14 lentamente, de canoa, levando aralém, que poderia trocar por toscas amanteigadas,

15 pamonha ou beiju, pois ainda há um Brasil bom que a gente desperdiça de bobagem, um

16 Brasil que a gente deixa para depois, e entretanto parece que vai acabando; tenho ouvido

17 falar em tanques de carpa, entretanto meu tio Cristóvão na fazenda da Boa Esperança tinha

18 um pequeno açude no ribeirão onde criava cascudos, tem dias que dá vontade de beber

19 jenipapina.

20 Já tomei muito avião para fazer reportagem, mas o certo não é assim, é fazer como

21 Saint-Hilaire ou o Príncipe Maximiliano, ir tocando por essas roças de Deus a cavalo, nada

22 de Rio-Bahia, ir pelos caminhos que acompanham com todo carinho os lombos e curvas da

23 terra, aceitando uma caneca de café na casa de um colono. Só de repente a gente se

24 lembra de que esse Brasil ainda existe, o Brasil ainda funciona a lenha e lombo de burro, as

25 noites do Brasil são pretas com assombração, dizem que ainda tem até luar no sertão, até

26 capivara e suçuarana — não, eu não sou contra o progresso ("o progresso é natural") mas

27 uma garrafinha de refrigerante americano não é capaz de ser como um refresco de

28 maracujá feito de fruta mesmo — o Brasil ainda tem safras e estações, vazantes e

29 piracemas com manjuba frita, e a lua nova continua sendo o tempo de cortar iba de bambu

30 para pescar piau. E como ainda há tanta coisa, quem sabe que é capaz de haver uma

31 mulher também, uma certa mulher que ainda seja assim, modesta porém limpinha, com os

32 cabelos ainda molhados de seu banho de rio, parece que até banho de cachoeira ainda

33 existe, até namoro debaixo de pitangueiras como antigamente, muito antigamente.


BRAGA, Rubem. Crônicas do Espírito Santo. São Paulo: Global, 2013, p. 11-12.

O único fragmento de texto que não caracteriza a viagem de que fala o autor é

  • A.

    “ir indo ao léu” (l. 7).

  • B.

    “tão simples, tão bom” (l. 8).

  • C.

    “lentamente, de canoa” (l. 14).

  • D.

    “sem pressa e com respeito” (l. 10).

Questão de Concurso - 1197631

Concurso Câmara de Capanema Agente Administrativo 2017

Questão 5

Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP)

Nível Médio

LEIA ATENTAMENTE O TEXTO ABAIXO PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES DE 1 A 10.


O outro Brasil


1Houve um tempo em que sonhei coisas — não foi ser eleito senador federal nem

2 nada, eram coisas humildes e vagabundas que entretanto não fiz, nem com certeza farei.

3 Era, por exemplo, arrumar um barco de uns quinze, vinte metros de comprido, com motor e

4 vela, e sair tocando devagar por toda a costa do Brasil, parando para pescar, vendendo

5 banana ou comprando fumo de rolo, não sei, me demorando em todo portinho simpático —

6 Barra de São João, Piúma, Regência, Conceição da Barra, Serinhaém, Turiaçu, Curuçá,

7 Ubatuba, Garopaba — ir indo ao léu, vendo as coisas, conversando com as pessoas — e

8 fazer um livro tão simples, tão bom, que até talvez fosse melhor não fazer livro nenhum,

9 apenas ir vivendo devagar a vida lenta dos mares do Brasil, tomando a cachacinha de cada

10 lugar, sem pressa e com respeito. Isso devia ser bom, talvez eu me tornasse conhecido

11 como um homem direito, cedendo anzóis pelo custo e comprando esteiras das mulheres dos

12 pescadores, aprendendo a fazer as coisas singelas que vivem fora das estatísticas e dos

13 relatórios — quantos monjolos há no Brasil, quantos puçás e paris? Sim, entraria pelos rios

14 lentamente, de canoa, levando aralém, que poderia trocar por toscas amanteigadas,

15 pamonha ou beiju, pois ainda há um Brasil bom que a gente desperdiça de bobagem, um

16 Brasil que a gente deixa para depois, e entretanto parece que vai acabando; tenho ouvido

17 falar em tanques de carpa, entretanto meu tio Cristóvão na fazenda da Boa Esperança tinha

18 um pequeno açude no ribeirão onde criava cascudos, tem dias que dá vontade de beber

19 jenipapina.

20 Já tomei muito avião para fazer reportagem, mas o certo não é assim, é fazer como

21 Saint-Hilaire ou o Príncipe Maximiliano, ir tocando por essas roças de Deus a cavalo, nada

22 de Rio-Bahia, ir pelos caminhos que acompanham com todo carinho os lombos e curvas da

23 terra, aceitando uma caneca de café na casa de um colono. Só de repente a gente se

24 lembra de que esse Brasil ainda existe, o Brasil ainda funciona a lenha e lombo de burro, as

25 noites do Brasil são pretas com assombração, dizem que ainda tem até luar no sertão, até

26 capivara e suçuarana — não, eu não sou contra o progresso ("o progresso é natural") mas

27 uma garrafinha de refrigerante americano não é capaz de ser como um refresco de

28 maracujá feito de fruta mesmo — o Brasil ainda tem safras e estações, vazantes e

29 piracemas com manjuba frita, e a lua nova continua sendo o tempo de cortar iba de bambu

30 para pescar piau. E como ainda há tanta coisa, quem sabe que é capaz de haver uma

31 mulher também, uma certa mulher que ainda seja assim, modesta porém limpinha, com os

32 cabelos ainda molhados de seu banho de rio, parece que até banho de cachoeira ainda

33 existe, até namoro debaixo de pitangueiras como antigamente, muito antigamente.


BRAGA, Rubem. Crônicas do Espírito Santo. São Paulo: Global, 2013, p. 11-12.

Releia a seguinte passagem do texto:


não, eu não sou contra o progresso (...) mas uma garrafinha de refrigerante americano não é capaz de ser como um refresco de maracujá feito de fruta mesmo (l. 26 a 28).


Nesse trecho, o autor deixa claro que

  • A.

    o progresso é algo benéfico.

  • B.

    é preciso lutar contra o progresso.

  • C.

    não abre mão dos produtos naturais.

  • D.

    vê com bons olhos o progresso americano.

Questão de Concurso - 1197632

Concurso Câmara de Capanema Agente Administrativo 2017

Questão 6

Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP)

Nível Médio

LEIA ATENTAMENTE O TEXTO ABAIXO PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES DE 1 A 10.


O outro Brasil


1Houve um tempo em que sonhei coisas — não foi ser eleito senador federal nem

2 nada, eram coisas humildes e vagabundas que entretanto não fiz, nem com certeza farei.

3 Era, por exemplo, arrumar um barco de uns quinze, vinte metros de comprido, com motor e

4 vela, e sair tocando devagar por toda a costa do Brasil, parando para pescar, vendendo

5 banana ou comprando fumo de rolo, não sei, me demorando em todo portinho simpático —

6 Barra de São João, Piúma, Regência, Conceição da Barra, Serinhaém, Turiaçu, Curuçá,

7 Ubatuba, Garopaba — ir indo ao léu, vendo as coisas, conversando com as pessoas — e

8 fazer um livro tão simples, tão bom, que até talvez fosse melhor não fazer livro nenhum,

9 apenas ir vivendo devagar a vida lenta dos mares do Brasil, tomando a cachacinha de cada

10 lugar, sem pressa e com respeito. Isso devia ser bom, talvez eu me tornasse conhecido

11 como um homem direito, cedendo anzóis pelo custo e comprando esteiras das mulheres dos

12 pescadores, aprendendo a fazer as coisas singelas que vivem fora das estatísticas e dos

13 relatórios — quantos monjolos há no Brasil, quantos puçás e paris? Sim, entraria pelos rios

14 lentamente, de canoa, levando aralém, que poderia trocar por toscas amanteigadas,

15 pamonha ou beiju, pois ainda há um Brasil bom que a gente desperdiça de bobagem, um

16 Brasil que a gente deixa para depois, e entretanto parece que vai acabando; tenho ouvido

17 falar em tanques de carpa, entretanto meu tio Cristóvão na fazenda da Boa Esperança tinha

18 um pequeno açude no ribeirão onde criava cascudos, tem dias que dá vontade de beber

19 jenipapina.

20 Já tomei muito avião para fazer reportagem, mas o certo não é assim, é fazer como

21 Saint-Hilaire ou o Príncipe Maximiliano, ir tocando por essas roças de Deus a cavalo, nada

22 de Rio-Bahia, ir pelos caminhos que acompanham com todo carinho os lombos e curvas da

23 terra, aceitando uma caneca de café na casa de um colono. Só de repente a gente se

24 lembra de que esse Brasil ainda existe, o Brasil ainda funciona a lenha e lombo de burro, as

25 noites do Brasil são pretas com assombração, dizem que ainda tem até luar no sertão, até

26 capivara e suçuarana — não, eu não sou contra o progresso ("o progresso é natural") mas

27 uma garrafinha de refrigerante americano não é capaz de ser como um refresco de

28 maracujá feito de fruta mesmo — o Brasil ainda tem safras e estações, vazantes e

29 piracemas com manjuba frita, e a lua nova continua sendo o tempo de cortar iba de bambu

30 para pescar piau. E como ainda há tanta coisa, quem sabe que é capaz de haver uma

31 mulher também, uma certa mulher que ainda seja assim, modesta porém limpinha, com os

32 cabelos ainda molhados de seu banho de rio, parece que até banho de cachoeira ainda

33 existe, até namoro debaixo de pitangueiras como antigamente, muito antigamente.


BRAGA, Rubem. Crônicas do Espírito Santo. São Paulo: Global, 2013, p. 11-12.

Há um tom de lamentação nas palavras do autor no seguinte trecho:

  • A.

    “parece que até banho de cachoeira ainda existe, até namoro debaixo de pitangueiras como antigamente, muito antigamente” (l. 32 e 33).

  • B.

    “ainda há um Brasil bom que a gente desperdiça de bobagem, um Brasil que a gente deixa para depois, e entretanto parece que vai acabando” (l. 15 e 16).

  • C.

    “ir pelos caminhos que acompanham com todo carinho os lombos e curvas da terra, aceitando uma caneca de café na casa de um colono” (l. 22 e 23).

  • D.

    “o Brasil ainda tem safras e estações, vazantes e piracemas com manjuba frita, e a lua nova continua sendo o tempo de cortar iba de bambu para pescar piau” (l. 28 a 30).

Questão de Concurso - 1197633

Concurso Câmara de Capanema Agente Administrativo 2017

Questão 7

Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP)

Nível Médio

LEIA ATENTAMENTE O TEXTO ABAIXO PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES DE 1 A 10.


O outro Brasil


1Houve um tempo em que sonhei coisas — não foi ser eleito senador federal nem

2 nada, eram coisas humildes e vagabundas que entretanto não fiz, nem com certeza farei.

3 Era, por exemplo, arrumar um barco de uns quinze, vinte metros de comprido, com motor e

4 vela, e sair tocando devagar por toda a costa do Brasil, parando para pescar, vendendo

5 banana ou comprando fumo de rolo, não sei, me demorando em todo portinho simpático —

6 Barra de São João, Piúma, Regência, Conceição da Barra, Serinhaém, Turiaçu, Curuçá,

7 Ubatuba, Garopaba — ir indo ao léu, vendo as coisas, conversando com as pessoas — e

8 fazer um livro tão simples, tão bom, que até talvez fosse melhor não fazer livro nenhum,

9 apenas ir vivendo devagar a vida lenta dos mares do Brasil, tomando a cachacinha de cada

10 lugar, sem pressa e com respeito. Isso devia ser bom, talvez eu me tornasse conhecido

11 como um homem direito, cedendo anzóis pelo custo e comprando esteiras das mulheres dos

12 pescadores, aprendendo a fazer as coisas singelas que vivem fora das estatísticas e dos

13 relatórios — quantos monjolos há no Brasil, quantos puçás e paris? Sim, entraria pelos rios

14 lentamente, de canoa, levando aralém, que poderia trocar por toscas amanteigadas,

15 pamonha ou beiju, pois ainda há um Brasil bom que a gente desperdiça de bobagem, um

16 Brasil que a gente deixa para depois, e entretanto parece que vai acabando; tenho ouvido

17 falar em tanques de carpa, entretanto meu tio Cristóvão na fazenda da Boa Esperança tinha

18 um pequeno açude no ribeirão onde criava cascudos, tem dias que dá vontade de beber

19 jenipapina.

20 Já tomei muito avião para fazer reportagem, mas o certo não é assim, é fazer como

21 Saint-Hilaire ou o Príncipe Maximiliano, ir tocando por essas roças de Deus a cavalo, nada

22 de Rio-Bahia, ir pelos caminhos que acompanham com todo carinho os lombos e curvas da

23 terra, aceitando uma caneca de café na casa de um colono. Só de repente a gente se

24 lembra de que esse Brasil ainda existe, o Brasil ainda funciona a lenha e lombo de burro, as

25 noites do Brasil são pretas com assombração, dizem que ainda tem até luar no sertão, até

26 capivara e suçuarana — não, eu não sou contra o progresso ("o progresso é natural") mas

27 uma garrafinha de refrigerante americano não é capaz de ser como um refresco de

28 maracujá feito de fruta mesmo — o Brasil ainda tem safras e estações, vazantes e

29 piracemas com manjuba frita, e a lua nova continua sendo o tempo de cortar iba de bambu

30 para pescar piau. E como ainda há tanta coisa, quem sabe que é capaz de haver uma

31 mulher também, uma certa mulher que ainda seja assim, modesta porém limpinha, com os

32 cabelos ainda molhados de seu banho de rio, parece que até banho de cachoeira ainda

33 existe, até namoro debaixo de pitangueiras como antigamente, muito antigamente.


BRAGA, Rubem. Crônicas do Espírito Santo. São Paulo: Global, 2013, p. 11-12.

O sentido da expressão “ir indo ao léu” (l. 7), só não é preservado em

  • A.

    “ir indo à toa”.

  • B.

    “ir indo a esmo”.

  • C.

    “ir indo precavidamente”.

  • D.

    “ir indo ao sabor do acaso”.

Questão de Concurso - 1197634

Concurso Câmara de Capanema Agente Administrativo 2017

Questão 8

Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP)

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O outro Brasil


1Houve um tempo em que sonhei coisas — não foi ser eleito senador federal nem

2 nada, eram coisas humildes e vagabundas que entretanto não fiz, nem com certeza farei.

3 Era, por exemplo, arrumar um barco de uns quinze, vinte metros de comprido, com motor e

4 vela, e sair tocando devagar por toda a costa do Brasil, parando para pescar, vendendo

5 banana ou comprando fumo de rolo, não sei, me demorando em todo portinho simpático —

6 Barra de São João, Piúma, Regência, Conceição da Barra, Serinhaém, Turiaçu, Curuçá,

7 Ubatuba, Garopaba — ir indo ao léu, vendo as coisas, conversando com as pessoas — e

8 fazer um livro tão simples, tão bom, que até talvez fosse melhor não fazer livro nenhum,

9 apenas ir vivendo devagar a vida lenta dos mares do Brasil, tomando a cachacinha de cada

10 lugar, sem pressa e com respeito. Isso devia ser bom, talvez eu me tornasse conhecido

11 como um homem direito, cedendo anzóis pelo custo e comprando esteiras das mulheres dos

12 pescadores, aprendendo a fazer as coisas singelas que vivem fora das estatísticas e dos

13 relatórios — quantos monjolos há no Brasil, quantos puçás e paris? Sim, entraria pelos rios

14 lentamente, de canoa, levando aralém, que poderia trocar por toscas amanteigadas,

15 pamonha ou beiju, pois ainda há um Brasil bom que a gente desperdiça de bobagem, um

16 Brasil que a gente deixa para depois, e entretanto parece que vai acabando; tenho ouvido

17 falar em tanques de carpa, entretanto meu tio Cristóvão na fazenda da Boa Esperança tinha

18 um pequeno açude no ribeirão onde criava cascudos, tem dias que dá vontade de beber

19 jenipapina.

20 Já tomei muito avião para fazer reportagem, mas o certo não é assim, é fazer como

21 Saint-Hilaire ou o Príncipe Maximiliano, ir tocando por essas roças de Deus a cavalo, nada

22 de Rio-Bahia, ir pelos caminhos que acompanham com todo carinho os lombos e curvas da

23 terra, aceitando uma caneca de café na casa de um colono. Só de repente a gente se

24 lembra de que esse Brasil ainda existe, o Brasil ainda funciona a lenha e lombo de burro, as

25 noites do Brasil são pretas com assombração, dizem que ainda tem até luar no sertão, até

26 capivara e suçuarana — não, eu não sou contra o progresso ("o progresso é natural") mas

27 uma garrafinha de refrigerante americano não é capaz de ser como um refresco de

28 maracujá feito de fruta mesmo — o Brasil ainda tem safras e estações, vazantes e

29 piracemas com manjuba frita, e a lua nova continua sendo o tempo de cortar iba de bambu

30 para pescar piau. E como ainda há tanta coisa, quem sabe que é capaz de haver uma

31 mulher também, uma certa mulher que ainda seja assim, modesta porém limpinha, com os

32 cabelos ainda molhados de seu banho de rio, parece que até banho de cachoeira ainda

33 existe, até namoro debaixo de pitangueiras como antigamente, muito antigamente.


BRAGA, Rubem. Crônicas do Espírito Santo. São Paulo: Global, 2013, p. 11-12.

Com base no contexto linguístico, pode-se inferir que o vocábulo “paris” (l. 13) significa um(a)

  • A.

    tipo de árvore.

  • B.

    espécie de animal.

  • C.

    determinada religião.

  • D.

    instrumento de pesca.

Questão de Concurso - 1197635

Concurso Câmara de Capanema Agente Administrativo 2017

Questão 9

Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP)

Nível Médio

LEIA ATENTAMENTE O TEXTO ABAIXO PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES DE 1 A 10.


O outro Brasil


1Houve um tempo em que sonhei coisas — não foi ser eleito senador federal nem

2 nada, eram coisas humildes e vagabundas que entretanto não fiz, nem com certeza farei.

3 Era, por exemplo, arrumar um barco de uns quinze, vinte metros de comprido, com motor e

4 vela, e sair tocando devagar por toda a costa do Brasil, parando para pescar, vendendo

5 banana ou comprando fumo de rolo, não sei, me demorando em todo portinho simpático —

6 Barra de São João, Piúma, Regência, Conceição da Barra, Serinhaém, Turiaçu, Curuçá,

7 Ubatuba, Garopaba — ir indo ao léu, vendo as coisas, conversando com as pessoas — e

8 fazer um livro tão simples, tão bom, que até talvez fosse melhor não fazer livro nenhum,

9 apenas ir vivendo devagar a vida lenta dos mares do Brasil, tomando a cachacinha de cada

10 lugar, sem pressa e com respeito. Isso devia ser bom, talvez eu me tornasse conhecido

11 como um homem direito, cedendo anzóis pelo custo e comprando esteiras das mulheres dos

12 pescadores, aprendendo a fazer as coisas singelas que vivem fora das estatísticas e dos

13 relatórios — quantos monjolos há no Brasil, quantos puçás e paris? Sim, entraria pelos rios

14 lentamente, de canoa, levando aralém, que poderia trocar por toscas amanteigadas,

15 pamonha ou beiju, pois ainda há um Brasil bom que a gente desperdiça de bobagem, um

16 Brasil que a gente deixa para depois, e entretanto parece que vai acabando; tenho ouvido

17 falar em tanques de carpa, entretanto meu tio Cristóvão na fazenda da Boa Esperança tinha

18 um pequeno açude no ribeirão onde criava cascudos, tem dias que dá vontade de beber

19 jenipapina.

20 Já tomei muito avião para fazer reportagem, mas o certo não é assim, é fazer como

21 Saint-Hilaire ou o Príncipe Maximiliano, ir tocando por essas roças de Deus a cavalo, nada

22 de Rio-Bahia, ir pelos caminhos que acompanham com todo carinho os lombos e curvas da

23 terra, aceitando uma caneca de café na casa de um colono. Só de repente a gente se

24 lembra de que esse Brasil ainda existe, o Brasil ainda funciona a lenha e lombo de burro, as

25 noites do Brasil são pretas com assombração, dizem que ainda tem até luar no sertão, até

26 capivara e suçuarana — não, eu não sou contra o progresso ("o progresso é natural") mas

27 uma garrafinha de refrigerante americano não é capaz de ser como um refresco de

28 maracujá feito de fruta mesmo — o Brasil ainda tem safras e estações, vazantes e

29 piracemas com manjuba frita, e a lua nova continua sendo o tempo de cortar iba de bambu

30 para pescar piau. E como ainda há tanta coisa, quem sabe que é capaz de haver uma

31 mulher também, uma certa mulher que ainda seja assim, modesta porém limpinha, com os

32 cabelos ainda molhados de seu banho de rio, parece que até banho de cachoeira ainda

33 existe, até namoro debaixo de pitangueiras como antigamente, muito antigamente.


BRAGA, Rubem. Crônicas do Espírito Santo. São Paulo: Global, 2013, p. 11-12.

As aspas em "o progresso é natural" (l. 26) sinalizam

  • A.

    citação irônica.

  • B.

    impropriedade lexical.

  • C.

    uso de expressão coloquial.

  • D.

    emprego figurado de termo.

Questão de Concurso - 1197637

Concurso Câmara de Capanema Agente Administrativo 2017

Questão 10

Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP)

Nível Médio

LEIA ATENTAMENTE O TEXTO ABAIXO PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES DE 1 A 10.


O outro Brasil


1Houve um tempo em que sonhei coisas — não foi ser eleito senador federal nem

2 nada, eram coisas humildes e vagabundas que entretanto não fiz, nem com certeza farei.

3 Era, por exemplo, arrumar um barco de uns quinze, vinte metros de comprido, com motor e

4 vela, e sair tocando devagar por toda a costa do Brasil, parando para pescar, vendendo

5 banana ou comprando fumo de rolo, não sei, me demorando em todo portinho simpático —

6 Barra de São João, Piúma, Regência, Conceição da Barra, Serinhaém, Turiaçu, Curuçá,

7 Ubatuba, Garopaba — ir indo ao léu, vendo as coisas, conversando com as pessoas — e

8 fazer um livro tão simples, tão bom, que até talvez fosse melhor não fazer livro nenhum,

9 apenas ir vivendo devagar a vida lenta dos mares do Brasil, tomando a cachacinha de cada

10 lugar, sem pressa e com respeito. Isso devia ser bom, talvez eu me tornasse conhecido

11 como um homem direito, cedendo anzóis pelo custo e comprando esteiras das mulheres dos

12 pescadores, aprendendo a fazer as coisas singelas que vivem fora das estatísticas e dos

13 relatórios — quantos monjolos há no Brasil, quantos puçás e paris? Sim, entraria pelos rios

14 lentamente, de canoa, levando aralém, que poderia trocar por toscas amanteigadas,

15 pamonha ou beiju, pois ainda há um Brasil bom que a gente desperdiça de bobagem, um

16 Brasil que a gente deixa para depois, e entretanto parece que vai acabando; tenho ouvido

17 falar em tanques de carpa, entretanto meu tio Cristóvão na fazenda da Boa Esperança tinha

18 um pequeno açude no ribeirão onde criava cascudos, tem dias que dá vontade de beber

19 jenipapina.

20 Já tomei muito avião para fazer reportagem, mas o certo não é assim, é fazer como

21 Saint-Hilaire ou o Príncipe Maximiliano, ir tocando por essas roças de Deus a cavalo, nada

22 de Rio-Bahia, ir pelos caminhos que acompanham com todo carinho os lombos e curvas da

23 terra, aceitando uma caneca de café na casa de um colono. Só de repente a gente se

24 lembra de que esse Brasil ainda existe, o Brasil ainda funciona a lenha e lombo de burro, as

25 noites do Brasil são pretas com assombração, dizem que ainda tem até luar no sertão, até

26 capivara e suçuarana — não, eu não sou contra o progresso ("o progresso é natural") mas

27 uma garrafinha de refrigerante americano não é capaz de ser como um refresco de

28 maracujá feito de fruta mesmo — o Brasil ainda tem safras e estações, vazantes e

29 piracemas com manjuba frita, e a lua nova continua sendo o tempo de cortar iba de bambu

30 para pescar piau. E como ainda há tanta coisa, quem sabe que é capaz de haver uma

31 mulher também, uma certa mulher que ainda seja assim, modesta porém limpinha, com os

32 cabelos ainda molhados de seu banho de rio, parece que até banho de cachoeira ainda

33 existe, até namoro debaixo de pitangueiras como antigamente, muito antigamente.


BRAGA, Rubem. Crônicas do Espírito Santo. São Paulo: Global, 2013, p. 11-12.

A inversão da ordem das palavras provocaria mudança de sentido em

  • A.

    “vida lenta” (l. 9).

  • B.

    “certa mulher” (l. 31).

  • C.

    “coisas humildes” (l. 2).

  • D.

    “pequeno açude” (l. 18).