Questões de Concursos Câmara de Santo André - SP (Câmara de Santo André/SP)

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Questão de Concurso - 1170923

Concurso Câmara de Santo André Controlador Interno 2018

Questão 11

Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM)

Nível Superior

Uma das técnicas de auditoria utilizadas pelos auditores nos seus trabalhos é a amostragem estatística que se fundamenta na escolha da amostra por critério científico (distribuição amostrai e seleção aleatória), independentemente da sua vontade. O tipo de amostragem estatística em que os itens, quer da população total, quer das estratificações efetuadas, são selecionados de forma a permanecer entre um intervalo uniforme denomina-se:

  • A.

    números aleatórios.

  • B.

    amostragem grupai.

  • C.

    estratificação.

  • D.

    números sistemáticos.

Questão de Concurso - 1170946

Concurso Câmara de Santo André Controlador Interno 2018

Questão 14

Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM)

Nível Superior

As técnicas de auditoria permitem ao auditor obter evidências ou provas suficientes e adequadas para fundamentar sua opinião acerca do objeto auditado. Numere a Coluna II de acordo com a Coluna I, correlacionando os tipos de técnicas de auditoria às respectivas descrições.



Assinale a alternativa que apresenta a sequência de números correta, de cima para baixo.

  • A.

    1 - 2 - 3 - 4.

  • B.

    2 - 4 - 1 - 3.

  • C.

    3 - 2 - 4 - 1.

  • D.

    4 - 1 - 3 -2.

Questão de Concurso - 1170977

Concurso Câmara de Santo André Controlador Interno 2018

Questão 22

Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM)

Nível Superior

Considerando as normas aplicadas ao orçamento público e suas especificidades, assinale a alternativa correta.

  • A.

    O orçamento de investimento das empresas em que o Estado, indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto não fará parte da lei orçamentária anual.

  • B.

    As unidades orçamentárias ou administrativas poderão transferir para outras unidades o poder de utilização dos créditos que lhes foram dotados ou que lhes tenham sido transferidos.

  • C.

    Os compromissos com vigência plurianual serão atendidos por crédito próprio, consignado no plano plurianual, devendo a despesa ser objeto de empenho global no inicio do primeiro exercício financeiro de realização do respectivo programa.

  • D.

    Ao estabelecer o prazo até o final do exercício financeiro vigente para a devolução pelo Legislativo do projeto de lei para sanção, o Poder Executivo visa garantir a existência de um orçamento aprovado, antes do início do exercício subsequente.

Questão de Concurso - 1170984

Concurso Câmara de Santo André Controlador Interno 2018

Questão 23

Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM)

Nível Superior

Conforme determinado pela legislação vigente, no final do exercício financeiro de 2017, uma Prefeitura elaborou suas demonstrações contábeis. O balanço financeiro apresentava a seguinte composição:



Pode-se afirmar que o montante dos pagamentos efetuados no exercício foi igual a:

  • A.

    R$ 152.000,00

  • B.

    R$ 179.000,00

  • C.

    R$ 170.000,00

  • D.

    R$ 27.000,00

Questão de Concurso - 1171932

Concurso

Questão 35

Nível

A consolidação das demonstrações contábeis, ao observar os requisitos expressos no Pronunciamento Técnico CPC 36, se insere no processo de convergência das normas brasileiras aos padrões internacionais de contabilidade. Na hipótese a seguir, apresentamos os Balanços de duas empresas, sendo a CIA @ detentora de 100% do capital da CIA #.



A aplicação dos princípios e procedimentos de Consolidação das Demonstrações Contábeis, nos Balanços apresentados, determina que o valor total do ATIVO CONSOLIDADO é igual a:

  • A.

    13.650

  • B.

    11.130

  • C.

    9.898

  • D.

    8.470

Questão de Concurso - 1171939

Concurso

Questão 42

Nível

No transcorrer de um determinado período fiscal a Empresa X, que atua no ramo Industrial, emitiu a Nota Fiscal n° 111 para documentar a venda de 35 pratos de porcelana à Empresa Y, que atua no ramo de comércio varejista, ao preço unitário de $ 50, com IPI de 10% e ICWIS de 17%. A Empresa Y emitiu a Nota Fiscal n° 222 para documentar a venda de 20 pratos de porcelana, comprados segundo os registros da Nota Fiscal n° 111. Na venda documentada pela Nota Fiscal n° 222, a Empresa Y praticou um preço de $ 100 por unidade, com incidência de 17% de ICMS.


Considerando que a Empresa Y mantinha em seu estoque inicial 15 pratos de porcelana registrados a um custo unitário de $ 36,5 e que a mesma Empresa realiza sua apuração de custos pelo critério da Média Móvel Ponderada, acrescentando-se as informações das Notas Fiscais, mencionadas acima, podemos afirmar que a Empresa Y obteve um Lucro Operacional de:


  • A.

    $ 830,00

  • B.

    $ 860,00

  • C.

    $ 930,00

  • D.

    $1.081,00

Questão de Concurso - 1170898

Concurso Câmara de Santo André Controlador Interno 2018

Questão 1

Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM)

Nível Superior

Sem fins lucrativos: por que a democracia precisa das humanidades


Atravessamos uma crise de amplitude internacional. Não falo da crise econômica mundial iniciada em

2008; refiro-me, apesar de passar despercebida, àquela que se arrisca a ser bem mais prejudicial para o

futuro da democracia; a crise planetária da educação.

Profundas alterações estão sendo produzidas naquilo que as sociedades democráticas ensinam aos

5 jovens e ainda não aferimos o alcance de todas elas. Ávidos de sucesso econômico, os países e os seus

sistemas educativos renunciam imprudentemente a competências que são indispensáveis à sobrevivência

das democracias. Se essa tendência persistir, em breve, haverá pelo mundo inteiro gerações de

máquinas úteis, dóceis e tecnicamente qualificadas, em vez de cidadãos realizados, capazes de pensar

por si próprios, de pôr em causa a tradição e de compreender o sentido do sofrimento e das realizações

10 dos outros.

De que alterações estamos falando? As humanidades e as artes perdem terreno sem cessar, tanto no

ensino primário e secundário como na universidade, em quase todos os países do mundo. Consideradas

acessórios inúteis pelos políticos, em uma época em que os países precisam se desfazer do supérfluo

para continuarem a ser competitivos no mercado mundial, essas disciplinas desaparecem em grande

15 velocidade dos programas letivos, mas também do espírito e do coração dos pais e das crianças.

Aquilo que poderíamos chamar de aspectos humanistas da ciência está igualmente em retrocesso, já que

os países preferem o lucro de curto prazo, através de competências úteis e altamente aplicadas,

adaptadas a esse objetivo. Parece que esquecemos as faculdades do pensamento e da imaginação (que

fazem de nós humanos) e das nossas interações - as relações empáticas que não são simplesmente

20 utilitárias. Quando estabelecemos contatos sociais, se não aprendermos a ver no outro “um outro nós”,

imaginando-lhe faculdades internas de pensamento e emoção, então a democracia é deixada à má sorte,

porque ela se assenta precisamente no respeito e na atenção dedicados ao outro, sentimentos que

pressupõem que o encaremos como ser humano e não como simples objeto.

Hoje, mais que nunca, dependemos todos de pessoas que nunca vimos. Os problemas que temos de

25 resolver - sejam de ordem econômica, ecológica, religiosa ou política - têm envergadura planetária.

Nenhum de nós escapa à interdependência mundial. As escolas e as universidades do mundo inteiro têm,

por conseguinte, uma tarefa imensa e urgente: cultivar nos estudantes a capacidade de se considerarem

membros de uma nação heterogênea (todas as nações modernas o são) e de um mundo ainda mais

heterogêneo.

30 Se o saber não é uma garantia de boa conduta, a ignorância é quase infalivelmente uma garantia de

maus procedimentos. A cidadania mundial implica realmente o conhecimento das humanidades? O

indivíduo necessita certamente de bastante conhecimento factual que os estudantes podem adquirir sem

formação humanista - memorizando os fatos em manuais padronizados (supondo que não contêm erros).

Para ser um cidadão responsável, necessita de algo mais: de ser capaz de avaliar os dados históricos, de

35 manipular os princípios econômicos e de exercer o seu espírito crítico, de comparar diferentes

concepções de justiça social, de falar pelo menos uma língua estrangeira, de avaliar os mistérios das

grandes religiões do mundo.

Dispor de uma série de fatos, sem ser capaz de os avaliar, é pouco mais do que ignorância. Ser capaz de

se referenciar em relação a um vasto leque de culturas, de grupos e de nações e à história das suas

40 interações, isso é que permite às democracias abordar, de forma responsável, os problemas com os quais

se deparam atualmente. A capacidade - que quase todos os seres humanos têm, em maior ou menor

grau - de imaginar as vivências e as necessidades dos outros deve ser amplamente desenvolvida e

estimulada, se queremos ter alguma esperança de conservar instituições satisfatórias.

“A vida sem reflexão não merece ser vivida”, afirmou Sócrates. Cético em relação à argumentação sofista

45 e aos discursos inflamados, pagou com a vida sua fixação nesse ideal de questionamento crítico. Hoje, o

seu exemplo é a base do ensino da cultura geral da tradição ocidental, e idéias similares estão na base do

mesmo ensino na índia e em outras culturas. Se insistimos em prover aos alunos uma série de

ensinamentos da área das humanidades, é porque cremos que essas matérias os estimularão a pensar e

a argumentar por eles mesmos, em vez de se resumirem simplesmente à tradição e à autoridade; e

50 porque consideramos que, como proclamava Sócrates, a capacidade de raciocinar é importante em

qualquer sociedade democrática - como as multiétnicas e multiconfessionais.

Para compreenderem efetivamente o mundo complexo que os cerca, os cidadãos não têm suficientes

conhecimentos factuais ou de lógica. É preciso um terceiro elemento, estritamente ligado a esses dois,

que se poderia chamar imaginação empática. Noutros termos, a capacidade de se pôr no lugar do outro,

55 de compreender as emoções, os desejos e os muitos sentimentos que ele pode sentir.

MARTHA NUSSBAUM

Adaptado de hUps://w\vwJronteiras.com/artiaos/oor-gue-a-democracia-Drecisa-das-humanidades. 14/08/2018.

Ao longo do texto, ao defender seu ponto de vista central sobre o tema que debate, a autora põe em confronto duas idéias, que podem ser representadas pelas seguintes palavras do texto:

  • A.

    sobrevivência (linha 6) - cidadãos (linha 8).

  • B.

    empáticas (linha 19) - utilitárias (linha 20).

  • C.

    ignorância (linha 30) - humanidades (linha 31).

  • D.

    questionamento (linha 45) - tradição (linha 46).

Questão de Concurso - 1170902

Concurso Câmara de Santo André Controlador Interno 2018

Questão 2

Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM)

Nível Superior

Sem fins lucrativos: por que a democracia precisa das humanidades


Atravessamos uma crise de amplitude internacional. Não falo da crise econômica mundial iniciada em

2008; refiro-me, apesar de passar despercebida, àquela que se arrisca a ser bem mais prejudicial para o

futuro da democracia; a crise planetária da educação.

Profundas alterações estão sendo produzidas naquilo que as sociedades democráticas ensinam aos

5 jovens e ainda não aferimos o alcance de todas elas. Ávidos de sucesso econômico, os países e os seus

sistemas educativos renunciam imprudentemente a competências que são indispensáveis à sobrevivência

das democracias. Se essa tendência persistir, em breve, haverá pelo mundo inteiro gerações de

máquinas úteis, dóceis e tecnicamente qualificadas, em vez de cidadãos realizados, capazes de pensar

por si próprios, de pôr em causa a tradição e de compreender o sentido do sofrimento e das realizações

10 dos outros.

De que alterações estamos falando? As humanidades e as artes perdem terreno sem cessar, tanto no

ensino primário e secundário como na universidade, em quase todos os países do mundo. Consideradas

acessórios inúteis pelos políticos, em uma época em que os países precisam se desfazer do supérfluo

para continuarem a ser competitivos no mercado mundial, essas disciplinas desaparecem em grande

15 velocidade dos programas letivos, mas também do espírito e do coração dos pais e das crianças.

Aquilo que poderíamos chamar de aspectos humanistas da ciência está igualmente em retrocesso, já que

os países preferem o lucro de curto prazo, através de competências úteis e altamente aplicadas,

adaptadas a esse objetivo. Parece que esquecemos as faculdades do pensamento e da imaginação (que

fazem de nós humanos) e das nossas interações - as relações empáticas que não são simplesmente

20 utilitárias. Quando estabelecemos contatos sociais, se não aprendermos a ver no outro “um outro nós”,

imaginando-lhe faculdades internas de pensamento e emoção, então a democracia é deixada à má sorte,

porque ela se assenta precisamente no respeito e na atenção dedicados ao outro, sentimentos que

pressupõem que o encaremos como ser humano e não como simples objeto.

Hoje, mais que nunca, dependemos todos de pessoas que nunca vimos. Os problemas que temos de

25 resolver - sejam de ordem econômica, ecológica, religiosa ou política - têm envergadura planetária.

Nenhum de nós escapa à interdependência mundial. As escolas e as universidades do mundo inteiro têm,

por conseguinte, uma tarefa imensa e urgente: cultivar nos estudantes a capacidade de se considerarem

membros de uma nação heterogênea (todas as nações modernas o são) e de um mundo ainda mais

heterogêneo.

30 Se o saber não é uma garantia de boa conduta, a ignorância é quase infalivelmente uma garantia de

maus procedimentos. A cidadania mundial implica realmente o conhecimento das humanidades? O

indivíduo necessita certamente de bastante conhecimento factual que os estudantes podem adquirir sem

formação humanista - memorizando os fatos em manuais padronizados (supondo que não contêm erros).

Para ser um cidadão responsável, necessita de algo mais: de ser capaz de avaliar os dados históricos, de

35 manipular os princípios econômicos e de exercer o seu espírito crítico, de comparar diferentes

concepções de justiça social, de falar pelo menos uma língua estrangeira, de avaliar os mistérios das

grandes religiões do mundo.

Dispor de uma série de fatos, sem ser capaz de os avaliar, é pouco mais do que ignorância. Ser capaz de

se referenciar em relação a um vasto leque de culturas, de grupos e de nações e à história das suas

40 interações, isso é que permite às democracias abordar, de forma responsável, os problemas com os quais

se deparam atualmente. A capacidade - que quase todos os seres humanos têm, em maior ou menor

grau - de imaginar as vivências e as necessidades dos outros deve ser amplamente desenvolvida e

estimulada, se queremos ter alguma esperança de conservar instituições satisfatórias.

“A vida sem reflexão não merece ser vivida”, afirmou Sócrates. Cético em relação à argumentação sofista

45 e aos discursos inflamados, pagou com a vida sua fixação nesse ideal de questionamento crítico. Hoje, o

seu exemplo é a base do ensino da cultura geral da tradição ocidental, e idéias similares estão na base do

mesmo ensino na índia e em outras culturas. Se insistimos em prover aos alunos uma série de

ensinamentos da área das humanidades, é porque cremos que essas matérias os estimularão a pensar e

a argumentar por eles mesmos, em vez de se resumirem simplesmente à tradição e à autoridade; e

50 porque consideramos que, como proclamava Sócrates, a capacidade de raciocinar é importante em

qualquer sociedade democrática - como as multiétnicas e multiconfessionais.

Para compreenderem efetivamente o mundo complexo que os cerca, os cidadãos não têm suficientes

conhecimentos factuais ou de lógica. É preciso um terceiro elemento, estritamente ligado a esses dois,

que se poderia chamar imaginação empática. Noutros termos, a capacidade de se pôr no lugar do outro,

55 de compreender as emoções, os desejos e os muitos sentimentos que ele pode sentir.

MARTHA NUSSBAUM

Adaptado de hUps://w\vwJronteiras.com/artiaos/oor-gue-a-democracia-Drecisa-das-humanidades. 14/08/2018.

àquela que se arrisca a ser bem mais prejudicial para o futuro da democracia: (linhas 2-3)


Uma palavra com mesma classificação gramatical que a palavra “mais”, na frase acima, está destacada em:


  • A.

    dependemos todos de pessoas que nunca vimos, (linha 24)

  • B.

    a ignorância é quase infalivelmente uma garantia de maus procedimentos, (linhas 30-31)

  • C.

    O indivíduo necessita certamente de bastante conhecimento factual (linhas 31-32)

  • D.

    os desejos e os muitos sentimentos que ele pode sentir, (linha 55)

Questão de Concurso - 1170907

Concurso Câmara de Santo André Controlador Interno 2018

Questão 3

Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM)

Nível Superior

Sem fins lucrativos: por que a democracia precisa das humanidades


Atravessamos uma crise de amplitude internacional. Não falo da crise econômica mundial iniciada em

2008; refiro-me, apesar de passar despercebida, àquela que se arrisca a ser bem mais prejudicial para o

futuro da democracia; a crise planetária da educação.

Profundas alterações estão sendo produzidas naquilo que as sociedades democráticas ensinam aos

5 jovens e ainda não aferimos o alcance de todas elas. Ávidos de sucesso econômico, os países e os seus

sistemas educativos renunciam imprudentemente a competências que são indispensáveis à sobrevivência

das democracias. Se essa tendência persistir, em breve, haverá pelo mundo inteiro gerações de

máquinas úteis, dóceis e tecnicamente qualificadas, em vez de cidadãos realizados, capazes de pensar

por si próprios, de pôr em causa a tradição e de compreender o sentido do sofrimento e das realizações

10 dos outros.

De que alterações estamos falando? As humanidades e as artes perdem terreno sem cessar, tanto no

ensino primário e secundário como na universidade, em quase todos os países do mundo. Consideradas

acessórios inúteis pelos políticos, em uma época em que os países precisam se desfazer do supérfluo

para continuarem a ser competitivos no mercado mundial, essas disciplinas desaparecem em grande

15 velocidade dos programas letivos, mas também do espírito e do coração dos pais e das crianças.

Aquilo que poderíamos chamar de aspectos humanistas da ciência está igualmente em retrocesso, já que

os países preferem o lucro de curto prazo, através de competências úteis e altamente aplicadas,

adaptadas a esse objetivo. Parece que esquecemos as faculdades do pensamento e da imaginação (que

fazem de nós humanos) e das nossas interações - as relações empáticas que não são simplesmente

20 utilitárias. Quando estabelecemos contatos sociais, se não aprendermos a ver no outro “um outro nós”,

imaginando-lhe faculdades internas de pensamento e emoção, então a democracia é deixada à má sorte,

porque ela se assenta precisamente no respeito e na atenção dedicados ao outro, sentimentos que

pressupõem que o encaremos como ser humano e não como simples objeto.

Hoje, mais que nunca, dependemos todos de pessoas que nunca vimos. Os problemas que temos de

25 resolver - sejam de ordem econômica, ecológica, religiosa ou política - têm envergadura planetária.

Nenhum de nós escapa à interdependência mundial. As escolas e as universidades do mundo inteiro têm,

por conseguinte, uma tarefa imensa e urgente: cultivar nos estudantes a capacidade de se considerarem

membros de uma nação heterogênea (todas as nações modernas o são) e de um mundo ainda mais

heterogêneo.

30 Se o saber não é uma garantia de boa conduta, a ignorância é quase infalivelmente uma garantia de

maus procedimentos. A cidadania mundial implica realmente o conhecimento das humanidades? O

indivíduo necessita certamente de bastante conhecimento factual que os estudantes podem adquirir sem

formação humanista - memorizando os fatos em manuais padronizados (supondo que não contêm erros).

Para ser um cidadão responsável, necessita de algo mais: de ser capaz de avaliar os dados históricos, de

35 manipular os princípios econômicos e de exercer o seu espírito crítico, de comparar diferentes

concepções de justiça social, de falar pelo menos uma língua estrangeira, de avaliar os mistérios das

grandes religiões do mundo.

Dispor de uma série de fatos, sem ser capaz de os avaliar, é pouco mais do que ignorância. Ser capaz de

se referenciar em relação a um vasto leque de culturas, de grupos e de nações e à história das suas

40 interações, isso é que permite às democracias abordar, de forma responsável, os problemas com os quais

se deparam atualmente. A capacidade - que quase todos os seres humanos têm, em maior ou menor

grau - de imaginar as vivências e as necessidades dos outros deve ser amplamente desenvolvida e

estimulada, se queremos ter alguma esperança de conservar instituições satisfatórias.

“A vida sem reflexão não merece ser vivida”, afirmou Sócrates. Cético em relação à argumentação sofista

45 e aos discursos inflamados, pagou com a vida sua fixação nesse ideal de questionamento crítico. Hoje, o

seu exemplo é a base do ensino da cultura geral da tradição ocidental, e idéias similares estão na base do

mesmo ensino na índia e em outras culturas. Se insistimos em prover aos alunos uma série de

ensinamentos da área das humanidades, é porque cremos que essas matérias os estimularão a pensar e

a argumentar por eles mesmos, em vez de se resumirem simplesmente à tradição e à autoridade; e

50 porque consideramos que, como proclamava Sócrates, a capacidade de raciocinar é importante em

qualquer sociedade democrática - como as multiétnicas e multiconfessionais.

Para compreenderem efetivamente o mundo complexo que os cerca, os cidadãos não têm suficientes

conhecimentos factuais ou de lógica. É preciso um terceiro elemento, estritamente ligado a esses dois,

que se poderia chamar imaginação empática. Noutros termos, a capacidade de se pôr no lugar do outro,

55 de compreender as emoções, os desejos e os muitos sentimentos que ele pode sentir.

MARTHA NUSSBAUM

Adaptado de hUps://w\vwJronteiras.com/artiaos/oor-gue-a-democracia-Drecisa-das-humanidades. 14/08/2018.

A autora utiliza um argumento de autoridade para reforçar seu ponto de vista em qual parágrafo?

  • A.

    Segundo.

  • B.

    Terceiro.

  • C.

    Sétimo.

  • D.

    Oitavo.

Questão de Concurso - 1170909

Concurso Câmara de Santo André Controlador Interno 2018

Questão 4

Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM)

Nível Superior

Sem fins lucrativos: por que a democracia precisa das humanidades


Atravessamos uma crise de amplitude internacional. Não falo da crise econômica mundial iniciada em

2008; refiro-me, apesar de passar despercebida, àquela que se arrisca a ser bem mais prejudicial para o

futuro da democracia; a crise planetária da educação.

Profundas alterações estão sendo produzidas naquilo que as sociedades democráticas ensinam aos

5 jovens e ainda não aferimos o alcance de todas elas. Ávidos de sucesso econômico, os países e os seus

sistemas educativos renunciam imprudentemente a competências que são indispensáveis à sobrevivência

das democracias. Se essa tendência persistir, em breve, haverá pelo mundo inteiro gerações de

máquinas úteis, dóceis e tecnicamente qualificadas, em vez de cidadãos realizados, capazes de pensar

por si próprios, de pôr em causa a tradição e de compreender o sentido do sofrimento e das realizações

10 dos outros.

De que alterações estamos falando? As humanidades e as artes perdem terreno sem cessar, tanto no

ensino primário e secundário como na universidade, em quase todos os países do mundo. Consideradas

acessórios inúteis pelos políticos, em uma época em que os países precisam se desfazer do supérfluo

para continuarem a ser competitivos no mercado mundial, essas disciplinas desaparecem em grande

15 velocidade dos programas letivos, mas também do espírito e do coração dos pais e das crianças.

Aquilo que poderíamos chamar de aspectos humanistas da ciência está igualmente em retrocesso, já que

os países preferem o lucro de curto prazo, através de competências úteis e altamente aplicadas,

adaptadas a esse objetivo. Parece que esquecemos as faculdades do pensamento e da imaginação (que

fazem de nós humanos) e das nossas interações - as relações empáticas que não são simplesmente

20 utilitárias. Quando estabelecemos contatos sociais, se não aprendermos a ver no outro “um outro nós”,

imaginando-lhe faculdades internas de pensamento e emoção, então a democracia é deixada à má sorte,

porque ela se assenta precisamente no respeito e na atenção dedicados ao outro, sentimentos que

pressupõem que o encaremos como ser humano e não como simples objeto.

Hoje, mais que nunca, dependemos todos de pessoas que nunca vimos. Os problemas que temos de

25 resolver - sejam de ordem econômica, ecológica, religiosa ou política - têm envergadura planetária.

Nenhum de nós escapa à interdependência mundial. As escolas e as universidades do mundo inteiro têm,

por conseguinte, uma tarefa imensa e urgente: cultivar nos estudantes a capacidade de se considerarem

membros de uma nação heterogênea (todas as nações modernas o são) e de um mundo ainda mais

heterogêneo.

30 Se o saber não é uma garantia de boa conduta, a ignorância é quase infalivelmente uma garantia de

maus procedimentos. A cidadania mundial implica realmente o conhecimento das humanidades? O

indivíduo necessita certamente de bastante conhecimento factual que os estudantes podem adquirir sem

formação humanista - memorizando os fatos em manuais padronizados (supondo que não contêm erros).

Para ser um cidadão responsável, necessita de algo mais: de ser capaz de avaliar os dados históricos, de

35 manipular os princípios econômicos e de exercer o seu espírito crítico, de comparar diferentes

concepções de justiça social, de falar pelo menos uma língua estrangeira, de avaliar os mistérios das

grandes religiões do mundo.

Dispor de uma série de fatos, sem ser capaz de os avaliar, é pouco mais do que ignorância. Ser capaz de

se referenciar em relação a um vasto leque de culturas, de grupos e de nações e à história das suas

40 interações, isso é que permite às democracias abordar, de forma responsável, os problemas com os quais

se deparam atualmente. A capacidade - que quase todos os seres humanos têm, em maior ou menor

grau - de imaginar as vivências e as necessidades dos outros deve ser amplamente desenvolvida e

estimulada, se queremos ter alguma esperança de conservar instituições satisfatórias.

“A vida sem reflexão não merece ser vivida”, afirmou Sócrates. Cético em relação à argumentação sofista

45 e aos discursos inflamados, pagou com a vida sua fixação nesse ideal de questionamento crítico. Hoje, o

seu exemplo é a base do ensino da cultura geral da tradição ocidental, e idéias similares estão na base do

mesmo ensino na índia e em outras culturas. Se insistimos em prover aos alunos uma série de

ensinamentos da área das humanidades, é porque cremos que essas matérias os estimularão a pensar e

a argumentar por eles mesmos, em vez de se resumirem simplesmente à tradição e à autoridade; e

50 porque consideramos que, como proclamava Sócrates, a capacidade de raciocinar é importante em

qualquer sociedade democrática - como as multiétnicas e multiconfessionais.

Para compreenderem efetivamente o mundo complexo que os cerca, os cidadãos não têm suficientes

conhecimentos factuais ou de lógica. É preciso um terceiro elemento, estritamente ligado a esses dois,

que se poderia chamar imaginação empática. Noutros termos, a capacidade de se pôr no lugar do outro,

55 de compreender as emoções, os desejos e os muitos sentimentos que ele pode sentir.

MARTHA NUSSBAUM

Adaptado de hUps://w\vwJronteiras.com/artiaos/oor-gue-a-democracia-Drecisa-das-humanidades. 14/08/2018.

Parece que esquecemos as faculdades do pensamento e da imaginação (linha 18)


A oração subordinada substantiva sublinhada é classificada como:

  • A.

    subjetiva.

  • B.

    predicativa.

  • C.

    objetiva direta.

  • D.

    completiva nominal.