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A crítica de cinema feminista dominante de modo algum reconhece a experiência de espectadoras negras. Sequer considera a possibilidade de que mulheres possam construir um olhar opositor através do entendimento e da consciência das políticas raciais e do racismo. A teoria feminista do cinema baseada numa moldura psicanalítica a-histórica que privilegia a diferença sexual suprime ativamente o reconhecimento da raça, reencenando e espelhando o apagamento da feminilidade negra realizado pelos filmes, silenciando qualquer discussão sobre a diferença racial – a diferença sexual racial.
HOOKS, Bell. Olhares negros: raça e representação.
Editora Elefante, São Paulo, 2019, pg. 223.
A partir do texto de Bell Hooks, assinale a alternativa correta.
Embora atualmente o filme O nascimento de uma nação (1915), de D.W. Griffith, seja considerado um filme de propaganda racista e de divulgação da ideologia da supremacia do branco norte-americano, não houve contestação sobre o filme durante a sua estreia. Fato é, como demonstra a pesquisa de Hooks, que o sucesso comercial desse filme de Griffith foi historicamente superestimado.
Ainda que seja importante diferenciar raça e gênero – e representações raciais femininas –, esse debate parece mais circunscrito ao cenário histórico norte-americano que ao brasileiro. No Brasil, a representação de mulheres negras não possuía a característica de um olhar opositor. Há exemplos nos filmes de cineastas mulheres negras como Adélia Sampaio ou mesmo nas obras de Zózimo Bulbul que trouxeram, desde os anos cinquenta, formas eloquentes de um olhar opositor.
O chamado race films, nos EUA, foi um movimento independente norte-americano, com forte tendência do mercado de segregação racial vindo das leis conhecidas como Jim Crow, que se espalharam sobretudo na costa leste norte-americana com uma influência expressiva, ainda que silenciada, nos estúdios de Hollywood. A obra de Oscar Micheaux é um exemplo clássico dessa forte assimilação dos race films na Hollywood clássica.
A crítica de Bell Hooks dirige-se às teorias feministas do audiovisual, sobretudo à teórica Laura Mulvey, que não reconhece singularidades da espectadora mulher negra, seja na sua representatividade, seja na forma como as espectadoras negras constroem sua forma de olhar essas representações.
No livro A Negação do Brasil, Joel Zito Araújo demonstra como as telenovelas brasileiras possuíam escassa representação de mulheres negras. Por outro lado, não havia incidência de estereótipos, como o da mammie, da empregada doméstica cordial, nem da sexualização da mulata.