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O termo pós-colonial, portanto, apaga certas relações de perspectiva. Como a experiência colonial é dividida, mesmo que de maneira assimétrica, entre (ex)colonizador e (ex)colonizado: a pergunta é o “pós” indicaria então a perspectiva do ex-colonizado (o argelino), do ex-colonizador (o francês) ou do imigrante deslocado na metrópole (o argelino na França)? Tal apagamento da perspectiva produz uma ambiguidade curioso a (...) Além de representar uma espacialidade dúbia, o pós-colonial também apaga cronologias diversas.
STAM, Robert; SHOHAT, Ella. Crítica da imagem eurocêntrica:
multiculturalismo e representação, Cosac Naify, São Paulo, 2003, p. 75 - 76.
Esse livro de Robert Stam e Ella Shoaht propõe a concepção de um multiculturalismo policêntrico e abriu várias fontes para revisões teóricas e históricas do cinema à luz dos estudos culturais, das representações de raça, gênero e sexualidade.
De acordo com essa constelação de temas caros às pesquisas cinematográficas contemporâneas, assinale a alternativa correta.
Na teoria cinematográfica, o termo pós-colonial é refutado, já que há consenso histórico no sentido de que a invenção do dispositivo cinematográfico ocorreu em países da Europa e dos Estados Unidos.
O debate dos estudos culturais dispensa críticas às representações raciais e de gêneros de filmes feitos em Hollywood, já que, segundo Shoaht e Stam, seus filmes não replicariam práticas similares às eurocêntricas.
Nos estudos de cinema, o termo pós-colonial aponta para o início de uma agenda de revisão crítica da historiografia do cinema, revendo uma abordagem cronológica focada em autores e cineastas majoritariamente homens e europeus, e negligenciam o conhecimento de filmes de países e localidades “periféricas”. Por isso Shoaht e Stam propõem um multiculturalismo policêntrico.
Embora os estudos culturais tenham uma atenção muito especial com as representações raciais e a disseminação de práticas e preceitos racistas feita por certos filmes, sua crítica não incide sobre a representação de gênero e sexualidade
A despeito de o manifesto A Estética da Fome, de Glauber Rocha, ter se inspirado nos escritos de Franz Fanon, para os autores Stam e Shohat, a guinada pós-colonial no cinema representa uma ruptura drástica com os movimentos cinematográficos do terceiro-mundo.