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Observando o estilo narrativo de Jean Renoir e de Orson...

Observando o estilo narrativo de Jean Renoir e de Orson Welles, André Bazin aponta uma utilização menos acidental e mais sistemática da “profundidade de campo” e do que ele denominou plano-sequência. (...). Esse fenômeno da profundidade de campo tem a sua importância dramática. (...). De modo gral, quanto maior a profundidade de campo, maior é a possibilidade de concentrar informações num único plano.


XAVIER, Ismail. O discurso cinematográfico: a opacidade e a transparência. 2005, Paz e Terra, p. 80.


Considerando os ensaios teóricos de André Bazin e sua compreensão do realismo cinematográfico, assinale a alternativa correta.


A

Para Bazin, tanto Jean Renoir quanto Orson Welles são cineastas profundamente vinculados à montagem do cinema mudo, influenciados sobretudo pelos conceitos de montagem vindos de Eisenstein e Dziga Vertov.


B

Segundo Bazin, a fotografia e o cinema possuem o tempo e seu índice, e mesmo a possibilidade de “embalsamento”, como um vetor singular. Por isso, a montagem deve ser, dentro de uma estética vinda do neorrealismo italiano, incentivada em detrimento de uma valorização da autonomia do plano.


C

Ainda nos anos trinta, tanto Jean Renoir como Orson Welles sofrem influência direta do neorrealismo italiano, o que leva Bazin a criar uma teoria geral do realismo cinematográfico.


D

Embora tivesse um encantamento com a profundidade de campo e o plano-sequência, Bazin, propunha, nos anos cinquenta, uma valorização da montagem como forma de conceder unidade de sentido aos planos e aos filmes. O realismo ambíguo vindo da profundidade de campo, seria uma herança indireta do fascismo e dos fantasmas do pós-guerra que ainda atormentavam os filmes e a teoria cinematográfica produzida na Europa.


E

André Bazin observa uma nova tendência de decupagem, enquadramento, duração de plano e de investigação narrativa que emerge, ao longo da história do cinema, após o advento do cinema sonoro. A montagem, segundo Bazin, exercia uma predominância e centralidade na estética cinematográfica do cinema mudo. Por isso, o ensaísta francês percebe uma relevante novidade histórica e estilística do uso dramático da profundidade de campo e do plano-sequência em cineastas como Renoir e Welles.