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Leia o texto reproduzido a seguir:HERÓI. MORTO. NÓS...

Leia o texto reproduzido a seguir:


HERÓI. MORTO. NÓS.


Lourenço Diaféiria


Não me venham com barreiras de dizer que herói não existe. Passei metade do dia imaginando uma palabra menos desgastada para definir o gesto desse sargento Silvio, que pulou no poço das ariranhas, para salvar o garoto de catorze anos, que estava sendo dilacerado bichos.


O garoto está salvo. O sargento morreu e está sendo enterrado em sua terra.


Que nome devo dar a esse homem?


Escrevo com todas as letras: o sargento Silvio é um herói. Se não morreu na guerra., se não disparou nenhum tiro, se não foi enforcado, tanto melhor.


Podem me explicar que esse tipo de heroísmo é resultado de uma total inconsciência do perigo. Pois quero que se lixem as explicações. Para mim o herói - como o santo - é aquele que vive sua vida até as últimas consequências.


O herói redime a humanidade à deriva.


Esse sargento Silvio podia estar vivo da silva com seus quatros filhos e sua mulher. Acabaria qualquer capitão, major.


Está morto.



Reprodução do banco de dados da Folha de S. Paulo


Este é um trecho de um texto de autoria de Lourenço Diaféria publicado em 01 de setembro de 1977 no jornal Folha de S. Paulo que irritou profundamente a ditadura militar. Pelo estilo, pode-se classificar este tipo de texto como



A

crônica.


B

editorial.


C

reportagem investigativa.


D

resenha.


E

notícia.