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A Reforma Agrária como questão
(...) as mudanças sofridas pela sociedade brasileira, nas últimas décadas do século XX, não se limitaram à sua economia, e nem as mudanças na sua economia se limitaram ao campo, e nem as mudanças sofridas pelo campo se limitaram à agricultura, e nem as mudanças na agricultura foram apenas econômicas, e nem as mudanças econômicas no setor agrícola se restringiram à modernização tecnológica ou à integração ao mercado ou à integração ao complexo agroindustrial e, finalmente, nem as mudanças sofridas pelo setor agrícola para além da modernização se limitaram aos seus efeitos perversos.
(Por: Moacir Palmeira - Professor de Antropologia Social do Museu Nacional (RJ) e participante do Ciclo de Seminários "Cem anos de República: continuidade e mudança", 1989, do IEA.) - (Texto adaptado)
O autor do texto procurou mostrar alguns dos processos que, paralelamente à modernização, pesaram na transformação do perfil do setor agrário brasileiro, excetuando-se:
A Reforma Agrária se insere no rol das prioridades políticas, tornando-se destaque na pauta do cenário nacional, com providências imediatas tomadas pelas autoridades governamentais, o que tem atenuado consideravelmente os conflitos agrários.
A Reforma Agrária é uma demanda social que não pode ser ignorada pelos governantes.
A Reforma Agrária é uma questão socialmente imposta.
O governo da "Nova República" elaborou planos de reforma agrária, arquivou-os e continuou falando de reforma agrária.
A Constituinte inscreveu-a no texto da nova Carta, mas a inviabilizou ao introduzir a noção de "propriedade produtiva", isenta de desapropriação.