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A evolução dos antigos engenhos para as modernas usinas no Nordeste não alterou a essência da concentração fundiária. Ao contrário, intensificou-a ao absorver as terras de pequenos lavradores. Essa estrutura, enraizada no sistema de sesmarias, consolidou relações de trabalho opressivas, como o cambão – trabalhadores que viviam na terra do patrão e, em troca de um pequeno lote para subsistência, eram obrigados a trabalhar de graça ou por salários ínfimos – e uma massa de trabalhadores proletarizados. Sem acesso à terra e submetidos a condições precárias, muitos trabalhadores são compelidos à migração, transferindo a pobreza do campo para a periferia das cidades.
ANDRADE, Manuel Correia de. A Terra e o Homem no Nordeste: contribuição ao estudo da questão agrária no Nordeste. São Paulo: 2011. (Adaptado)
A análise da organização do espaço agrário é fundamental para compreender a configuração socioespacial das cidades brasileiras.
Considerando a relação entre a concentração fundiária e a precarização do trabalho no campo, assinale a alternativa que descreve CORRETAMENTE as consequências desse modelo.
A mecanização das grandes propriedades permitiu a fixação do trabalhador no campo, uma vez que a exigência de mão de obra qualificada gerou estabilidade contratual e o fim dos movimentos migratórios em direção aos centros urbanos.
A coexistência entre o latifúndio monocultor e a pequena propriedade de subsistência é equilibrada pela função social da terra, garantindo que a expansão das cadeias agroindustriais não pressione os territórios ocupados pela agricultura familiar.
A modernização da base técnica agrícola promoveu uma reforma agrária de mercado, na qual o aumento da produtividade permitiu ao pequeno produtor adquirir terras de grandes latifundiários, reduzindo o inchaço populacional nas metrópoles.
As relações de trabalho no campo brasileiro, ao serem plenamente regulamentadas pela modernização agrícola, eliminaram a figura do trabalhador temporário (boia-fria), garantindo que a migração para as cidades ocorra, apenas, por atratividade industrial e não por expulsão rural.
A manutenção da estrutura fundiária concentrada, aliada à substituição de mão de obra por capital (mecanização), gera um processo de exclusão que impele o trabalhador rural ao êxodo, resultando numa urbanização rápida e socialmente desigual, muitas vezes marginalizada nas médias e grandes cidades.