Imagem de fundo

Considere o samba-enredo da Estação Primeira de Mangueira...

Considere o samba-enredo da Estação Primeira de Mangueira em homenagem ao Centenário da Abolição da Escravidão.


100 anos de liberdade - realidade ou ilusão?


Será...

Que já raiou a liberdade

Ou se foi tudo ilusão

Será...

Que a lei Áurea tão sonhada

Há tanto tempo assinada

Não foi o fim da escravidão

Hoje dentro da realidade

Onde está a liberdade

Onde está que ninguém viu

Moço...

Não se esqueça que o negro também construiu

As riquezas do nosso Brasil


Pergunte ao criador

Quem pintou esta aquarela

Livre do açoite da senzala

Preso na miséria da favela


Sonhei....

Que Zumbi dos Palmares voltou

A tristeza do negro acabou

Foi uma nova redenção


Senhor..

Eis a luta do bem contra o mal

Que tanto sangue derramou

Contra o preconceito racial


O negro samba

Negro joga capoeira

Ele é o rei na verde e rosa da Mangueira


Hélio Turco, Jurandir e Alvinho. Samba-Enredo do GRES Estação Primeira de Mangueira em Homenagem ao Centenário da Abolição da Escravidão, 1988.


A partir da leitura desse samba-enredo, verifica-se que a exclusão socioespacial da população afrobrasileira


A

configura um processo histórico contínuo, no qual a abolição formal, desprovida de políticas de integração social, produziu segregação territorial, reprodução do racismo estrutural e concentração em espaços urbanos precarizados.


B

decorre de escolhas culturais, sociais e econômicas autônomas no período pós-abolição, manifestando-se na ocupação de territórios precarizados sem relação direta com a ação do Estado ou com a herança escravista.


C

expressa uma dinâmica homogênea de urbanização popular, na qual quilombos, favelas e periferias constituem formas territoriais equivalentes, desvinculadas de conflitos étnico-raciais e disputas por cidadania.


D

foi superada por políticas públicas contemporâneas, que neutralizaram os efeitos territoriais excludentes do passado escravista e reduziram a centralidade do racismo na organização do espaço urbano brasileiro.


E

resulta predominantemente de transformações urbanas recentes, dissociadas parcialmente do processo abolicionista, uma vez que a liberdade jurídica garantiu igualdade de acesso às oportunidades sociais e espaciais.