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Na década de 1970, o cientista brasileiro Eneas Salati quebrou o dogma de longa data de que a vegetação é simplesmente consequência do clima e não tem influência alguma sobre ele. Usando razões isotópicas de oxigênio em amostras de água da chuva coletadas do Atlântico até a fronteira com o Peru, ele conseguiu demonstrar que a Amazônia gera aproximadamente metade de sua própria precipitação reciclando a umidade de 5 a 6 vezes, à medida que as massas de ar se movem do Atlântico através da bacia para o oeste.
Adaptado de Lovejoy, T. E., & Nobre, C. (2018). Amazon Tipping Point. Science Advances, 4(2)
Um professor de Geografia do Ensino Médio planeja uma sequência didática sobre o tipping point e desmatamento na Amazônia. Após a leitura do trecho citado, os estudantes compreenderam a reciclagem de umidade, mas apresentaram dificuldades em dimensionar a escala espacial dos efeitos do desmatamento e em perceber que a degradação da floresta pode afetar áreas distantes da região desmatada.
Para desenvolver essa compreensão sobre a escala espacial dos impactos do desmatamento, o professor deve
apresentar um mapa dos "rios voadores", propondo que os estudantes identifiquem quais regiões fora da Amazônia dependem desse fluxo e o que ocorreria com a precipitação nessas áreas em caso de colapso do ciclo hidrológico amazônico.
retomar a metodologia de Salati, para que os estudantes compreendam como a ciência estabelece relações causais em sistemas climáticos complexos e de difícil observação direta.
exibir séries históricas de temperatura e precipitação na bacia Amazônica, pedindo que os estudantes identifiquem tendências de redução da precipitação e de aquecimento nas áreas de desmatamento mais intenso, relacionando esses dados ao mecanismo de reciclagem de umidade descrito no texto.
propor que os estudantes calculem a área desmatada acumulada na Amazônia com base em dados do INPE, verificando se o limiar crítico de 20% já foi atingido em alguma porção da bacia e discutindo o que os modelos climáticos projetam para as próximas décadas em diferentes cenários de desmatamento.
organizar um seminário em que grupos de estudantes pesquisem e apresentem as posições de diferentes atores sobre o desmatamento amazônico, entre eles cientistas, ruralistas, povos indígenas e representantes do governo, discutindo como cada grupo interpreta o conceito de tipping point e suas implicações para as políticas ambientais.