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Leia o texto a seguir.
1937, no entanto, não precisou trabalhar a posteriori seu movimento memorizador; o fato revelou a si mesmo pronto, acabado, no ato mesmo de sua instalação. O Estado Novo se apresenta como o único sujeito histórico adequado ao país para aquele momento e, ao mesmo tempo, o corretor de sua linha de evolução histórica. Daí a utilização do fato mítico da Revolução de 1930, da qual 37 se apresentará como revolução acabada e da qual tomará de empréstimo sua origem mítica de fundação.
LENHARO, Alcir. Sacralização da política. 2. ed. Campinas: Papirus, 1996, p. 13-14.
Com base na leitura do texto e considerando o contexto republicano entre os anos de 1930 e 1937, depreende-se que
o marco cronológico que associa 1930 e 1937 pretende, por meio da afirmação de continuidade, conceder legitimidade ao regime ditatorial instaurado, explorando o poder da memória.
a frequente aparição das experiências ditatoriais indica que a história deve ser analisada a partir dos elementos de continuidade, uma vez que a repetição do fenômeno em 1937 aponta para problemas mal resolvidos.
a instauração da ditadura varguista contou com o apoio dos revolucionários de 1930, que apresentaram uma nova história de seu movimento, na qual Vargas aparecia como representante de um militarismo progressista.
a memória positiva em torno de 1937 estabeleceu-se imediatamente, sem precisar recorrer a símbolos, pois a instalação do regime varguista seria uma ruptura com o Brasil atrasado, defendido pelos revolucionários de 1930.