Imagem de fundo

“– Não gosto que a cantes, não, Isaura. Hão de pensar que...

“– Não gosto que a cantes, não, Isaura. Hão de pensar que és maltratada, que és uma escrava infeliz, vítima de senhores bárbaros e cruéis. Entretanto passas aqui uma vida, que faria inveja a muita gente livre. Gozas da estima de teus senhores. Deram-te uma educação, como não tiveram muitas ricas e ilustres damas, que eu conheço. És formosa e tens uma cor linda, que ninguém dirá que gira em tuas veias uma só gota de sangue africano

[...]

– Mas senhora, apesar de tudo isso que sou eu mais do que uma simples escrava? Essa educação, que me deram, e essa beleza, que tanto me gabam, de que me servem?... São trastes de luxo colocados na senzala do africano. A senzala nem por isso deixa de ser o que é: uma senzala.

– Queixas-te de tua sorte, Isaura?

– Eu não, senhora: apesar de todos esses dotes e vantagens, que me atribuem, sei conhecer o meu lugar”

(GUIMARÃES, B. A escrava Isaura. São Paulo: Ática, 1976, p.13.)

O racismo consiste numa das mais graves violações aos direitos humanos e ainda é uma prática muito comum na sociedade brasileira. Com a leitura do texto acima, pode-se afirmar que racismo no Brasil:


A

é um fenômeno que marca estruturalmente a distribuição desigual das políticas de Estado, no acesso a oportunidades, informações e recursos, assim como desumaniza as pessoas.


B

apesar de condenável, não interfere na participação de todos nas atividades sociais, nem impede que a partir de suas diferenças se possa construir uma democracia efetiva.


C

no passado costumava abalar muito o desenvolvimento da autoestima e da autoconfiança da população negra bem como de outros grupos sociais discriminados.


D

é uma prática social discriminatória, que hierarquiza socialmente grupos sociais, que ocorre apenas naquelas sociedades que experimentaram a escravidão moderna.


E

é predominantemente étnico, ou seja, pouco importa a sua aparência, o seu fenótipo, é a sua ancestralidade que define como será a discriminação social.