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“O conto “Negrinha”, de Machado de Assis, retrata o...


“O conto “Negrinha”, de Machado de Assis, retrata o contexto da sociedade brasileira no pós-abolição e início da República do final do século XIX e início do século XX.


Negrinha era uma pobre órfã de sete anos. Preta? Não; fusca, mulatinha escura, de cabelos ruços e olhos assustados.


Nascera na senzala, de mãe escrava, e seus primeiros anos vivera-os pelos cantos escuros da cozinha, sobre velha esteira e trapos imundos. [...]


O corpo de Negrinha era tatuado de sinais, cicatrizes, vergões. Batiam nele os da casa todos os dias, houvesse ou não houvesse motivo. Sua pobre carne exercia para os cascudos, cocres e beliscões a mesma atração que o ímã exerce para o aço. Mãos em cujos nós de dedos comichasse um cocre, era mão que se descarregaria dos fluidos em sua cabeça. De passagem. Coisa de rir e ver a careta…


A excelente dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças. Vinha da escravidão, fora senhora de escravos — e daquelas ferozes, amigas de ouvir cantar o bolo e estalar o bacalhau. Nunca se afizera ao regime novo — essa indecência de negro igual a branco e qualquer coisinha: a polícia! “Qualquer coisinha”: uma mucama assada ao forno porque se engraçou dela o senhor; uma novena de relho porque disse: “Como é ruim, a sinhá!”…


O 13 de Maio tirou-lhe das mãos o azorrague, mas não lhe tirou da alma a gana. Conservava Negrinha em casa como remédio para os frenesis. [...]”

(LOBATO, Monteiro. Negrinha. Disponível em https://cs.ufgd.edu.br/download/Negrinha-de-Monteiro-Lobato.pdf )

Acerca desse período histórico, é correto afirmar que


A

com a lei de 13 de maio, a escravidão no Brasil foi abolida, e todos os negros, nacionais ou africanos, foram reconhecidos como cidadãos brasileiros e passaram a ter todos os seus direitos civis reconhecidos, independente da renda.


B

no período pós-abolição, o governo buscou criar políticas públicas de inclusão dos ex-escravizados e seus descendentes na sociedade brasileira, por meio de doação de terras, estímulo à capacitação profissional e à escolarização.


C

nesse período, muitos intelectuais se debruçavam no debate sobre a “nação brasileira”, tendo as teorias racialistas como uma das principais referências e que deixaram marcas profundas no imaginário social brasileiro até hoje.


D

na primeira Constituição republicana no Brasil, em 1891, encontramos leis segregacionistas, aos moldes da estadunidense, que separavam pessoas negras, ou como eram chamadas na época, pessoas “de cor”, da população branca.