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Ao analisar o sistema de aviamento na Amazônia, Márcio...

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Q2536668
Teclas de Atalhos
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Ano: 2019
Prova: FADESP - Prefeitura - Professor - Área: História - 2019

Ao analisar o sistema de aviamento na Amazônia, Márcio Meira considera que


“(...) o aviamento não pode ser encarado apenas como fenômeno relevante de um certo “período" ou “ciclo” da história do processo colonial e pós-colonial do Noroeste Amazônico. Ao contrário (...) ele se “imprimiu” de forma persistente – “duro de morrer” – nas relações sociais dos povos indígenas e dos agentes do colonialismo”.


(MEIRA, Márcio. A persistência do aviamento. Colonialismo e história indígena no noroeste amazônico. São Carlos/SP: EduFSCar, 2018. p. 44).


A constatação, pelo antropólogo Meira, da persistência do sistema de aviamento ainda nos finais de 1990, na região do alto rio Negro, nos permite afirmar que este sistema de comércio, que remonta à primeira metade do século XVIII,


A

configura uma estratégia econômica e social para manter o alto valor comercial do látex amazônico no mercado europeu, nas últimas décadas do século XX. Os “fregueses” que compravam a crédito alimentavam o lucro dos grandes seringalistas e dos grandes exportadores de Belém e São Paulo, em detrimento dos negócios dos banqueiros de Zurique.


B

dinamizou a navegação a vapor dos rios da bacia amazônica conectando os seringais com os portos de Santos e Rio de Janeiro, principais escoadores da borracha para a Europa. Nesse sistema, os “fregueses” eram mantidos reféns dos regatões que singravam pelos rios amazônicos vendendo mercadorias estrangeiras.


C

embora tenha vigorado, sobretudo, no auge da economia da borracha amazônica, persistiu além do período gomífero. Caracterizou-se pela formação de uma cadeia de escambo que envolvia seringueiros, seringalistas, comerciantes importadores e exportadores, cada um entregando a mercadoria a crédito, terminando por fortalecer o endividamento permanente do “aviado”.


D

enraizou pela região central da Amazônia, agravando a violência dos seringalistas contra grupos indígenas que se recusavam a extrair o látex e entregá-lo aos donos dos barracões. Enquanto isso, o Estado ficou omisso na proteção dos seringueiros nordestinos, caboclos e indígenas porque, na cadeia hierárquica do aviamento, detinha o controle da produção, além de obter o maior lucro do comércio exportador.