

Seu próximo nível começa aqui
Seu desenvolvimento não pode ter limites. Garanta sua Assinatura Ilimitada e libere uma preparação completa com os melhores professores do Brasil.
Ao analisar o sistema de aviamento na Amazônia, Márcio Meira considera que
“(...) o aviamento não pode ser encarado apenas como fenômeno relevante de um certo “período" ou “ciclo” da história do processo colonial e pós-colonial do Noroeste Amazônico. Ao contrário (...) ele se “imprimiu” de forma persistente – “duro de morrer” – nas relações sociais dos povos indígenas e dos agentes do colonialismo”.
(MEIRA, Márcio. A persistência do aviamento. Colonialismo e história indígena no noroeste amazônico. São Carlos/SP: EduFSCar, 2018. p. 44).
A constatação, pelo antropólogo Meira, da persistência do sistema de aviamento ainda nos finais de 1990, na região do alto rio Negro, nos permite afirmar que este sistema de comércio, que remonta à primeira metade do século XVIII,
configura uma estratégia econômica e social para manter o alto valor comercial do látex amazônico no mercado europeu, nas últimas décadas do século XX. Os “fregueses” que compravam a crédito alimentavam o lucro dos grandes seringalistas e dos grandes exportadores de Belém e São Paulo, em detrimento dos negócios dos banqueiros de Zurique.
dinamizou a navegação a vapor dos rios da bacia amazônica conectando os seringais com os portos de Santos e Rio de Janeiro, principais escoadores da borracha para a Europa. Nesse sistema, os “fregueses” eram mantidos reféns dos regatões que singravam pelos rios amazônicos vendendo mercadorias estrangeiras.
embora tenha vigorado, sobretudo, no auge da economia da borracha amazônica, persistiu além do período gomífero. Caracterizou-se pela formação de uma cadeia de escambo que envolvia seringueiros, seringalistas, comerciantes importadores e exportadores, cada um entregando a mercadoria a crédito, terminando por fortalecer o endividamento permanente do “aviado”.
enraizou pela região central da Amazônia, agravando a violência dos seringalistas contra grupos indígenas que se recusavam a extrair o látex e entregá-lo aos donos dos barracões. Enquanto isso, o Estado ficou omisso na proteção dos seringueiros nordestinos, caboclos e indígenas porque, na cadeia hierárquica do aviamento, detinha o controle da produção, além de obter o maior lucro do comércio exportador.