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A Guerra do Paraguai constitui um claro exemplo de como a História, sem ser arbitrária, é um trabalho de criação que pode servir a vários fins. Na versão tradicional da historiografia brasileira, o conflito resultou da megalomania e dos planos expansionistas do ditador paraguaio Solano López.
Atravessando a fronteira, encontramos no Paraguai uma historiografia oposta. O conflito é aí visto como uma agressão de vizinhos poderosos a um pequeno país independente.
Nos últimos anos, a partir de historiadores como Francisco Doratioto e Ricardo Salles, surgiu uma nova explicação. Não se trata da última palavra no campo da História, mas de uma versão menos ideológica, mais coerente e bem apoiada em documentos.
(Boris Fausto, História do Brasil. Texto adaptado)
Sobre a “nova explicação” acerca da Guerra do Paraguai, é correto afirmar que ela
associa a eclosão da guerra ao expansionismo territorial do Brasil, que visava dominar espaços argentinos, além da forte instabilidade político-institucional presente no Paraguai, onde as províncias não aceitavam a centralização política.
mostra-se atenta às relações entre os países envolvidos no conflito, chamando a atenção para o processo de formação dos Estados nacionais da América Latina e da luta entre eles para assumir uma posição dominante no continente.
reconhece que o conflito foi instigado por um conjunto de discursos nacionalistas presentes nas nações envolvidas na guerra, que se opunha aos interesses das nações industrializadas europeias, especialmente a França e a Grã-Bretanha.
entende que o estopim do conflito foi o expansionismo territorial do Uruguai e de algumas províncias do interior da Argentina, pois eram regiões interessadas na reunificação do vice-reino do Prata e no fim da livre navegação no estuário do Prata.
considera que a guerra decorreu da grave crise econômica, de abrangência quase mundial, da segunda metade do século XIX, que prejudicou muito as economias da América do Sul, dependentes do comércio internacional.