Imagem de fundo

Por ocasião da renúncia de Jânio Quadros, que desistiu da...

Por ocasião da renúncia de Jânio Quadros, que desistiu da presidência da república em 25 de agosto de 1961, o vice-presidente da república, João Goulart, estava no exterior (China comunista), em viagem oficial. Encontrando desde logo resistência em seu sucessor imediato, Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados, e nos chefes das forças armadas, que recusavam seu regresso ao Brasil com base na segurança nacional, Goulart veio a assumir a presidência da república no dia 7 de setembro de 1961.


(Carlos Fico, O Brasil no contexto da Guerra Fria: democracia, subdesenvolvimento e ideologia do planejamento (1946-1964). Em: Carlos Guilherme Mota (org.), Viagem incompleta: a experiência brasileira (1500-2000): a grande transação)


A posse de João Goulart, segundo Carlos Fico, decorreu


A

do importante apoio político dos governadores do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, e de São Paulo, Carvalho Pinto, além dos apoios dos sindicatos de São Paulo, da Igreja Católica em Porto Alegre e em São Paulo e da sustentação militar do III Exército, sediado em Porto Alegre.


B

da articulação política do ex-presidente Juscelino Kubitschek com as principais lideranças políticas do país e a mesa diretora do Senado, o que resultou em uma ação no Tribunal Superior Eleitoral acerca da questão da posse, que deliberou em favor da legalidade.


C

do acordo político entre o governador da Guanabara, Carlos Lacerda, e os parlamentares que apoiavam a posse de Jango; assim, a posse estaria garantida, mas o novo presidente deveria, publicamente, anunciar que não concorreria à reeleição em 1965.


D

da rápida ação da UDN, que articulada com a maioria dos parlamentares do Congresso Nacional e com a maioria dos governadores dos estados do Norte-Nordeste, fez com uma consulta ao Supremo Tribunal Federal sobre a constitucionalidade da posse do vice-presidente.


E

de uma ousada estratégia política utilizada pelo ministro da Guerra, marechal Henrique Lott, que imobilizou, inclusive com algumas prisões administrativas, as principais lideranças das Forças Armadas que militavam contra a posse do vice-presidente.