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Quando o general Ernesto Geisel toma posse na presidência...

Quando o general Ernesto Geisel toma posse na presidência da república (março de 1974), a esquerda orgânica estava praticamente a caminho da liquidação […] O regime, entretanto, vai enfrentar graves problemas, que sintomatizam a sua crise profunda.


(José Paulo Netto, Em busca da contemporaneidade perdida: a esquerda brasileira pós-64. Em: Carlos Guilherme Mota. A experiência brasileira. A grande transação)


Essa “crise profunda”, segundo José Paulo Netto, manifestou-se por meio


A

da oposição que uma ala militar, os chamados moderados, fazia ao presidente e pela grave crise econômica gerada pela introdução de um forte ajuste fiscal, que fez a inflação crescer e a economia paralisar.


B

da aproximação entre grupos moderados da Arena e do MDB para exigir rapidez na abertura política e da grave crise econômica provocada pelo considerável desequilíbrio fiscal do governo federal.


C

da promessa não cumprida pelo presidente de iniciar o processo de abertura política e pela forte recessão provocada pelo novo governo porque os investimentos públicos em infraestrutura foram cancelados.


D

da incapacidade do governo em negociar com os trabalhadores, que voltaram a fazer manifestações e greves por aumento salariais, e a derrota eleitoral em 1974, que fez o MDB ter maioria no Congresso Nacional.


E

da autonomização do aparato repressivo, que se constitui gradualmente em um poder paralelo, e o colapso do “milagre econômico”, que contribuiu para uma rápida erosão da legitimidade do regime.