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“Enquanto o café seguia sua marcha no Oeste Paulista e as propostas de abolição gradual da escravatura davam os primeiros passos, um acontecimento internacional iria marcar profundamente a história do Segundo Império. Esse acontecimento foi a Guerra do Paraguai, travada por mais de cinco anos, entre 11 de novembro de 1864, quando ocorreu o primeiro ato das hostilidades, e 1 de março de 1870. Ela é conhecida, na América espanhola, como Guerra da Tríplice Aliança. A guerra constitui um claro exemplo de como a História, sem ser arbitrária, é um trabalho de criação que pode servir a vários fins.”
(FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1995. pp. 208-209.)
Diante do panorama historiográfico sobre Guerra do Paraguai (1864-1870), assinale a afirmativa correta.
O estudo da Guerra do Paraguai demonstra como a historiografia pode ser um processo de construção de narrativas influenciadas pelo contexto político e intelectual de cada período. Diferentes interpretações do conflito refletem tanto a busca pela verdade histórica, quanto interesses ideológicos e metodológicos distintos.
A historiografia contemporânea sobre a Guerra do Paraguai apresenta um consenso absoluto ao afirmar que Solano López agiu exclusivamente de maneira defensiva, sem qualquer intenção expansionista, sendo vítima de uma conspiração anglo-brasileira que visava sua eliminação.
A interpretação desenvolvida por historiadores marxistas latino-americanos, como León Pomer, defende que a guerra foi o resultado direto do expansionismo agressivo do Brasil e do Paraguai, ambos subordinados aos interesses dos Estados Unidos, que já haviam consolidado sua influência na América Latina no século XIX.
A narrativa construída pelas Forças Armadas brasileiras enfatiza os méritos militares da guerra, destacando o papel de figuras como Caxias e Solano Lopez, mas reconhece que o conflito teve um impacto negativo na estrutura social e econômica do Brasil, levando ao questionamento da legitimidade do governo imperial.
As interpretações mais recentes da Guerra do Paraguai, como as de Francisco Doratioto e Ricardo Salles, rejeitam totalmente qualquer influência do imperialismo britânico na eclosão do conflito, enfatizando exclusivamente as disputas territoriais e políticas entre os Estados sul-americanos.