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De fato, até alguns anos atrás, os estudos sobre o cativeiro no Brasil tendiam a descrever as práticas sexuais e a vida familiar dos escravos como evidências de uma "patologia social" — de uma falta de normas e nexos sociais — que impossibilitasse não apenas a aglutinação das pessoas na vida privada, mas também uma ação coletiva e "política" consequente. Este livro procura resgatar a capacidade dos Serafins e Romanas de construírem famílias conjugais, extensas e intergeracionais, e de agirem em concerto com seus companheiros para definir projetos em comum. Analisa as razões práticas e simbólicas que os levaram a valorizar os laços de parentesco, consanguíneos e afins. Isto é, procura descobrir a "flor" na senzala — as "esperanças" e as "recordações" forjadas pelos escravos a partir de sua experiência e de sua herança cultural. Finalmente, tenta pesar na balança os diversos significados da família cativa, que, ao promover a autonomia e a dependência do escravo, era a um só tempo abalo e arrimo para o escravismo.
SLENES, Robert. Na senzala uma flor: esperanças e recordações na formação da família escrava. Campinas: Editora da Unicamp, 2011.
O debate historiográfico apresentado revela
o tradicionalismo do campo historiográfico brasileiro ao colocar os sujeitos escravizados na condição de subalternidade e esvaziados de sentimentos.
o avanço no campo historiográfico ao tratar de outras perspectivas no que tange à experiência da escravidão no Brasil a partir de abordagem no campo da história social e a história social da escravidão no Brasil.
a “Revolução Francesa da historiografia brasileira” ao trazer para o protagonismo das discussões os sujeitos escravizados, destacando aqueles que ocuparam postos de relevância no campo social da formação da nação.
o retrocesso em função de manter as discussões restritas à experiência escravagista de povos de origem africana, deixando de lado outros sujeitos que também foram utilizados como mão de obra compulsória, tais como indígenas e mestiços.