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A chamada “Questão religiosa”, correntemente associada à crise do poder imperial no Brasil, tem como mote a condenação à prisão dos bispos de Pernambuco e do Pará, que haviam encerrado irmandades que acolhiam maçons na Igreja católica, conforme orientação do papa Pio IX. Instalada a crise, ela foi resolvida com a soltura dos bispos e a revogação de sua condenação. Mas, no fim, quem ganhou esta disputa entre os poderes temporal e espiritual? Alguns autores, como Kátia Mattoso (Bahia, século XIX: uma província no Império. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1992), defendem a tese de que ambos os lados perderam nesta “questão”, argumentando que:
a influência maçônica foi superestimada pela Igreja católica e desestimulada pelo poder imperial, prejudicando o financiamento do Clero e do Estado pelas burguesias estaduais
a ruptura momentânea entre Estado e Igreja favoreceu o crescimento dos grupos liberais radicais que defendiam o Estado leigo e influenciaram no movimento republicano
o esfacelamento dos grupos conservadores dentro da Igreja católica a partir da internacionalização proposta por Pio XI levou também à perda de apoio ao imperador pelos “saquaremas”
a ocupação pela Câmara dos Deputados do espaço político oportunizado pelo conflito viabilizou a implantação temporária de um sistema conhecido como “parlamentarismo às avessas”