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O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) reuniu historiadores, romancistas, poetas, administradores públicos e políticos em torno da investigação a respeito do caráter brasileiro [...] Assim, enquanto na Corte localizava-se a sede, nas províncias deveria haver os respectivos institutos regionais. Estes, por sua vez, enviariam documentos e relatos regionais para a capital.
DEL PRIORE, M.; VENÂNCIO, R. Uma breve história do Brasil. São Paulo: Planeta do Brasil, 2010.
À luz dessa análise, o IHGB pode ser interpretado como uma instituição que
consolidou um aparato de produção historiográfica vinculado à legitimação simbólica da monarquia, ao centralizar o discurso histórico em torno da unidade territorial, da continuidade dinástica e da ideia de civilização sob orientação eurocêntrica.
engendrou uma ruptura epistemológica em relação às tradições ilustradas, ao promover uma concepção descentralizada de história fundada na pluralidade regional e na valorização das narrativas subalternas.
propagou um paradigma historiográfico de matriz positivista, estruturado na crítica ao poder central e na defesa da autonomia interpretativa das províncias como núcleos de identidade nacional.
instituiu uma dinâmica de produção do saber histórico marcada pela horizontalidade institucional, em que as províncias atuavam como polos autônomos de elaboração e difusão da memória coletiva.
revelou uma tendência de ruptura com o ideário monárquico, ao privilegiar abordagens de caráter republicano e laico que questionavam os fundamentos do poder imperial.