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O fotógrafo açoriano José Christiano de Freitas Henriques Junior (1832-1902) desenvolveu, entre 1864-1865, uma extensa documentação fotográfica da população escravizada no Rio de Janeiro Imperial. Sua coleção "Photographias de costumes brazileiros", composta por 77 fotografias, foi apresentada na Exposição Internacional do Porto (1865) e posteriormente doada ao rei D. Fernando de Portugal. O material, que incluía retratos de "trabalhadores de ganho" e "tipos de diferentes nações africanas", foi comercializado como souvenir para estrangeiros. As fotografias registravam escravizados urbanos descalços em atividades como quitandeiras, barbeiros ambulantes, carregadores e cesteiros, além de retratos faciais identificados por origem étnica (Mina Nagô, Cabinda, Angola, Moçambique, Congo, Monjolo). Analisando o contexto da escravidão urbana do século XIX, qual aspecto caracteriza a função histórica e social dessa documentação visual?
As fotografias foram encomendadas pelo governo imperial como documentação oficial para controle administrativo dos escravos de ganho, servindo como registro fiscal para cobrança de impostos municipais sobre a atividade comercial escrava no Rio de Janeiro.
As imagens funcionaram como mercadoria exótica destinada ao consumo visual de estrangeiros, documentando simultaneamente a diversidade do trabalho escravo urbano e as origens étnicas africanas, sem questionar a estrutura escravista, mas atendendo à demanda comercial pelo "pitoresco tropical".
A coleção representou uma iniciativa científica de antropologia física, seguindo métodos da escola antropológica francesa, visando classificar as diferentes etnias africanas para estudos comparativos sobre capacidade craniana e características raciais.
As fotografias constituíram um projeto abolicionista de denúncia social, produzidas com o objetivo de sensibilizar a opinião pública europeia sobre as condições desumanas da escravidão brasileira, contribuindo para o movimento internacional de abolição do tráfico negreiro.
A produção fotográfica teve caráter artístico, seguindo tendências estéticas do romantismo brasileiro, idealizando a figura do escravo como símbolo da nacionalidade em formação, sem finalidade comercial ou documental.