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O julgamento do Slobodon Milosevic por crimes de guerra cometidos durante a fragmentação da Iugoslávia, ocorrida na década de 1990, tem importância internacional devido a/à:
dar continuidade à política de julgamento de crimes internacionais estabelecida após a guerra franco-prussiana em 1871;
intervenção direta das grandes potências, entre elas os Estados Unidos, uma vez que o julgamento é conduzido, em Nova York, pelas Nações Unidas;
ser a primeira vez, na história, que um país julga seus próprios governantes, dentro de suas fronteiras, por crimes de guerra;
tratar de uma idéia que ganhou notoriedade na última década: a aplicação da lei internacional em conflitos armados em qualquer país.
O recrudescimento das diversas manifestações de fundamentalismos (não necessariamente religiosos) e de nacionalismos exacerbados (quase sempre acompanhados de xenofobia e de intolerância) é motivo de acentuada preocupação mundial, hoje, sobretudo por seu extraordinário poder de gerar conflitos armados.
Fundamentalismos religiosos, questões étnicas e manifestações diversas de nacionalismos, muitas vezes assumindo formas perigosas de racismo e de xenofobia, despontam neste fim de século como forças de expressão que influem na configuração do mapa geopolítico e das relações internacionais.
O avanço tecnológico não apenas fornece novos paradigmas à produção material, mas impulsiona verdadeira revolução nas comunicações e no processo de difusão da informação.
As facilidades de circulação oferecidas às mercadorias e aos capitais igualmente se manifestam no incentivo às correntes migratórias, com fronteiras literalmente escancaradas a bens e a pessoas.
Os Estados nacionais perderam suas funções históricas, sendo substituídos por organizações não-governamentais e por entidades supranacionais, mais flexíveis e adequadas à nova realidade.
A mudança dos paradigmas da política internacional, verificada nesses últimos anos, trouxe outra conseqüência notável, sobretudo pelo que representa em termos de distensão e de valorização do ideal de um mundo sem confrontos bélicos: o fim das atividades militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
O tradicional isolacionismo que caracteriza a política externa dos EUA desde o século XIX adquire intensidade ainda maior na atualidade, quer pela ausência de adversários de peso, quer pelo desinteresse das empresas norte-americanas em ampliarem seus mercados externos.
A rede mundial, viabilizada pela informática, democratizou o conhecimento em razão de estar instalada em todas as partes do mundo e da equanimidade de acesso que já oferece.
O avanço da tecnologia, embora indiscutível, é menor do que se supõe; prova disso é o fato de que essa tecnologia foi incapaz de influir decisivamente no sistema produtivo.
Velhos nacionalismos estão sendo varridos do mapa e crenças religiosas fundamentalistas não mais encontram espaço em uma época que abomina a intolerância sob qualquer forma.
Fortemente estimulada ao consumismo sem limites, a sociedade contemporânea pratica, em grande medida, o que se pode denominar moral clínica, pela qual tudo se subordina aos interesses individuais, à busca de vantagens e conquistas pessoais.
De uma forma geral, o esporte ainda consegue manter sua trajetória sem subordinar-se aos desígnios do mercado e ao mundo dos negócios; nesse sentido, os Jogos Olímpicos conseguem, em pleno ano 2000, manter praticamente intacto o lema que presidiu sua recriação no mundo contemporâneo: "O importante é competir, não vencer".