Em relação à questão de uma ruptura revolucionária [de 1930], a problemática das relações Estado-sociedade configura-se como eixo de análises a partir da influência interdisciplinar. Destaca-se como fundamental a análise de Francisco Weffort sobre o “Estado de compromisso”.
[Vavy Pacheco Borges, Anos trinta e política: história e historiografia. Em: Marcos Cezar de Freitas (org.). Historiografia brasileira em perspectiva, 1998]
“Estado de compromisso” pode ser conceituado como
a articulação entre a burguesia industrial e as classes médias urbanas para reestruturar as arcaicas relações fundiárias.
a incapacidade das forças políticas progressistas em assumir o poder depois da ruptura institucional que pôs fim à Primeira República.
a condição na qual nenhum dos grupos participantes pode oferecer exclusivamente ao Estado as bases de sua legitimidade.
uma estrutura política de atendimento das principais reivindicações das classes populares, como a reforma agrária.
a ordem construída após a queda da República Oligárquica na qual o poder hegemônico esteve nas mãos do tenentismo.