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Assinale a alternativa em que o uso do pronome oblíquo...

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto a seguir para responder às questões que a ele se referem.


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1  Passamos grande parte de nossa vida preocupados e ocupados com a trajetória profissional. Tanto a ponto de nos definirmos mais pelo que escolhemos fazer dela do que por quem somos como pessoa, como ser humano integrado e composto de várias dimensões além da profissional. 

5      Para fazer o teste do quanto nossa identidade profissional está acima das demais, pense na pergunta que geralmente fazemos ou recebemos ao chegar a um ambiente desconhecido, seja de trabalho, seja social. O mais comum é fazer ou ouvir a pergunta: “O que você faz?”. Não pensamos e não questionamos algo como: “Quem você quer ser?”, “Quais são seus desejos e anseios?”, ou mesmo “Quem é você?”. 

10      Por essa relação tão íntima que nutrimos com nossa atividade profissional ao longo da vida, é difícil nos conectarmos com quem realmente somos. Então essa retomada do que queremos e desejamos exige uma boa dose de esforço consciente. E uma grande oportunidade de fazer esse mergulho interno dá as caras quando a insatisfação com o trabalho vem à tona. 

Por que não estou feliz? Em vez de recorrer aos clássicos atalhos atribuindo a infelicidade ao chefe, ao ambiente, ao salário ou ao próprio trabalho, essa pergunta oferece uma oportunidade para uma profunda jornada de autoconhecimento. 

15      Mas é preciso saber que essa postura exige coragem, pois parte do pressuposto de que a fonte de insatisfação no trabalho ou da infelicidade pode estar dentro de nós, e não fora, tornando-nos vulneráveis e fazendo com que a gente assuma a responsabilidade por nossas escolhas. O encontro com nós mesmos é mais amedrontador do que imaginamos, porém igualmente recompensador. 

 20     Há formas simples e ao mesmo tempo profundas de despertarmos essa autoconsciência. Uma delas é nos propormos a um “voo panorâmico” sobre nós mesmos. Como fazer isso? Primeiramente compreendendo que a vida não é feita só de trabalho, que há outras dimensões presentes, como nossos relacionamentos com o outro e com nós mesmos. 

25     Como estão minhas relações sociais e familiares? O quanto estou me dedicando a mim mesmo, ao meu autodesenvolvimento intelectual e espiritual? Simular diálogos assim pode ser útil e revelador, trazendo consciência a respeito de lados da nossa existência que estão super ou subvalorizados. E, a partir disso, podem surgir ideias de como equilibrar as forças. Trata-se de uma conversa corajosa sobre desejos, anseios e necessidades. E aqui é importante levar em consideração que essas várias esferas da vida jamais se igualam perfeitamente, e que esse equilíbrio dinâmico varia ao longo do tempo. 

30      Assim, existem momentos em que podemos priorizar passar mais tempo com os amigos, a família, os filhos. E outros em que o foco maior seja nós mesmos: tempo para nós, nossas leituras, cursos de desenvolvimento pessoal, viagens de autoconhecimento. 

35     A consciência sobre o nosso desenvolvimento biográfico é um componente vital para esse entendimento. O que seria isso? Usarmos nossa história como fonte de aprendizado. Ela é um poderoso recurso. Compreender que determinadas fases da nossa jornada nos exigem maior dedicação aos aprendizados técnicos e profissionais e que outras nos chamam a um questionamento de valores, dedicação à família ou a nós mesmos é um indicador de maturidade com chances de uma vida mais feliz. 

40    Assim, é preciso olhar para o passado, analisar como lidamos com as dificuldades, como nos levantamos após as quedas, com quem contamos para nos reerguer, em que tipo de família crescemos (tradicional, liberal). Tudo isso faz parte de quem nós somos e nos ajuda a entender com clareza nossas escolhas e nosso momento atual. 

45       Outra reflexão que pode nos ajudar a identificar as fontes de nossa infelicidade no trabalho se refere às definições de sucesso. Quanto ela foi “herdada” da família ou do ambiente social? E quanto está de fato alinhada aos nossos valores pessoais dos quais não abrimos mão? Muitas vezes essa infelicidade vem exatamente do desalinhamento interno – por vezes – inconsciente. Para detectar isso, há duas perguntas que podemos nos fazer em relação ao que queremos de nossa vida: “O que não pode acontecer?” e “O que deveria acontecer?”. As respostas podem nos proporcionar uma lista de critérios de escolha baseados em valores pessoais essenciais e inegociáveis. 

50      Um trabalho que traga significado deve estar conectado não apenas aos nossos valores, mas também a uma noção – nem que seja inicialmente um vislumbre – de missão, respeito, talentos e paixões. Quanto mais clara é a visão de futuro, mais fácil se torna nossa relação com nossa atividade profissional e a consciência de nossas expectativas em relação àquilo que fazemos. Sabendo o porquê de estarmos naquele trabalho torna o “como” muito mais prazeroso e também com significado. Trata- se de exercitarmos uma visão de longo prazo, que dá novo sentido ao momento presente. Por exemplo, nosso potencial nem sempre é plenamente alcançado através daquilo que nós fazemos profissionalmente, e, nesses casos, o trabalho tem mais função de meio do que de fim. E tudo bem! 

55  Quando essa consciência está presente, é como se um sensor interno fosse instalado, para ser ativado cada vez que o pensar, o sentir e o fazer se desconectam. Essa ativação se traduz em incômodos e angústias que nos colocam em movimento para corrigir a rota.

Por fim, analisar a qualidade das quatro pontes que estabelecemos com o mundo do trabalho também pode ser muito produtivo nesse caminho de autodescoberta. 

60   Uma primeira ponte diz respeito à nossa identificação com a missão da organização na qual trabalhamos, que tem muito a ver com aquele alinhamento de valores já citado acima. A segunda é a das relações que esse trabalho proporciona, internas e externas. A qualidade dos laços que estabelecemos no ambiente de trabalho é um fator de motivação fundamental. A terceira ponte é a dos fluxos ou processos, que determina nossa dedicação à qualidade dos produtos e serviços, e à aplicação de nossos talentos e habilidades. Finalmente, a ponte da segurança, ligada aos recursos físicos e financeiros, que precisa estar equilibrada. 

65    Ao fazer essa análise, eventuais disparidades podem ser reveladas, ajudando-nos a compreender as fontes de nossa infelicidade e, levarndo-nos a um novo patamar de autoconsciência e a uma vida mais feliz. 


BARROSO, Mônica. Infeliz no trabalho? Disponível em: . Acesso em: 25 set. 2019. Adaptado. 

Assinale a alternativa em que o uso do pronome oblíquo átono está, obrigatoriamente, em posição proclítica, de acordo com as normas da Língua Portuguesa.


A

“[...] é difícil nos conectarmos com quem realmente somos.” (Linhas 8-9)


B

“[...] traduz em incômodos e angústias que nos colocam em movimento [...]” (Linhas 56-57)


C

Uma delas é nos propormos a um ‘voo panorâmico’ sobre nós mesmos.” (Linhas 19-20)


D

“Tudo isso faz parte de quem nós somos e nos ajuda a entender com clareza nossas escolhas [...].” (Linha 39)


E

“[...] mais fácil se torna nossa relação com nossa atividade profissional [...].” (Linha 50)