Leia o Texto I para
responder às questões
de 01 a 04.
Texto
I
Imagina
na campanha
Quem diria: o futebol, ópio do povo,
virou, nesta Copa
no Brasil, combustível que alimenta o
debate político. E
os xingamentos à presidente Dilma no
Itaquerão, em
São Paulo, elevaram ainda mais a
temperatura das
discussões.
Não pretendo
voltar a isso, já
exaustivamente
comentado, com bom senso ou sem nenhum,
mas tão
somente dar, a partir deste fato, uma
olhadinha em volta
– no tal contexto em que tudo se
insere.
Estamos a pouco
mais de três meses das
eleições e,
como sinalizam desde 2013 as manifestações
críticas à
Copa, parece ter se esgotado entre nós a
eficácia da
consagrada fórmula “pão e circo”.
O comportamento dos torcedores,
que na
hora H
festejam a seleção, os visitantes e o
país, mas não seus
mandatários, é a expressão, desrespeitosa
ou não,
dessa insubmissão. Jogo é jogo; urna é
urna. É este
cenário que também se reafirma a cada
divulgação de
pesquisas pré-eleitorais.
Com ou sem gol de Neymar, persistem a
insatisfação
da maioria com a economia e as políticas
de educação,
saúde, segurança; o desejo de mudança e a
recusa de
boa parte do eleitorado, enquanto o voto
útil não vem, a
se encaixar no velho maniqueísmo governo x
oposição.
O interessante é que os que estão no poder
– e,
portanto, têm muito a perder - insistem em
recorrer a
um modelo superado para interpretar a
conjuntura
atual. Só assim, com os olhos no passado,
é possível
entender a reação do comando petista, que
optou por
ressuscitar a pregação contra “a elite
branca de São
Paulo” – agora identificada como
responsável pelas
agressões verbais à presidente durante a
abertura do
Mundial.
Enfim, se a tal
“elite branca” destilou
ódio, o PT, como
em outros episódios, não agiu muito
diferente. E claro:
culpou, como sempre, a imprensa, inclusive
atacando
nominalmente jornalistas. Isso apesar de a
categoria
ter, quase em bloco, defendido Dilma e
condenado o
VTC. Imagina na campanha.
(Mara Bergamaschi)