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Considere os seguintes segmentos retirados do texto.1...

Instrução: As questões 1 a 10 estão relacionadas ao texto abaixo.


  1. Segundo o historiador norte-americano Robert Darnton, o Iluminismo pode explicar qualquer coisa
  2. em qualquer área de realização humana a partir do século XVIII. É fato que letrados europeus da
  3. primeira metade daquele século utilizavam expressões que remetiam à luz da sabedoria em
  4. contraposição às trevas da ignorância. Esta fórmula, entretanto, não era nova – e também podia ser,
  5. em certa medida, uma transposição do processo religioso bem versus mal presente nas tradições
  6. cristãs. Esta dualidade está na própria raiz do Renascimento moderno, entre os séculos XV e XVI,
  7. sobretudo em sua crítica à Europa da Idade Média. Luz, luzes, ideias luminosas, esclarecimento eram
  8. expressões que os iluministas utilizavam para caracterizar seu programa – que incorporava uma nova
  9. atitude em relação ao conhecimento.
  10. O livro-manifesto desta nova atitude é O experimentador, publicado por Galileu em 1623. Este livro
  11. foi inspirado no trabalho do português Estevão Rodrigues de Castro. O livro se chama Microcosmo dos
  12. meteoros e foi publicado em Florença em 1621. Castro reafirmava princípios supostamente sepultados
  13. pela autoridade científica acadêmica e religiosa da sua época. O experimentador, por sua vez, escrito
  14. de maneira polêmica e opondo-se diretamente ao conhecimento oficial, lançado com uma estratégia
  15. de publicidade que incluía o apoio do próprio papa, que aprovou o livro publicamente sem tê-lo lido,
  16. teve enorme impacto.
  17. Segundo o filósofo alemão Ernest Cassirer, o século XVIII vai na mesma direção deste manifesto e
  18. rejeita terminantemente ________ filosofia do conhecimento confrontada por Galileu no século XVII:
  19. a dedução a partir de um princípio incontestável, capaz de ser sustentado unicamente pela tradição. A
  20. filosofia da época, ao contrário, adotaria um método essencialmente diverso: a análise (ou crítica).
  21. O historiador alemão Reinhart Koselleck, autor de Crítica e crise (1959), também remonta o
  22. problema ao século XVII, no qual esta transformação no método do conhecimento se relaciona com
  23. as discussões sobre a vida pública. Para ele, a questão é indissociável da constituição do Estado
  24. absolutista em meio ________ guerras religiosas. A guerra civil na Inglaterra (1642-1651) impediu
  25. momentaneamente, segundo ele, a formação do Estado moderno. Mas acabou sendo o motivo do
  26. erguimento do Absolutismo, contra o qual, no século XVIII, se formaria esta crítica que chamamos de „
  27. Esclarecimento‟.
  28. Acompanhando a consolidação da nova ordem monárquica do final do século XVII, Koselleck
  29. observa o apaziguamento das forças internas. De um lado, foi estabelecida uma esfera política,
  30. própria do rei, destituída do julgamento sobre o que é certo ou errado (ou seja, uma moral), e que
  31. obedece unicamente ________ razão de Estado. De outro, uma esfera privada, que pode ser moral,
  32. na qual os filósofos estão livres para exercer a razão propriamente dita, isto é, o pensamento crítico
  33. sistemático.
  34. Assim, no período em que os conflitos religiosos se generalizaram, alguns letrados observaram que
  35. a liberdade de consciência – e de crítica – era incompatível com a paz: a discordância pública sobre o q
  36. que era certo ou errado levaria ________ guerra. Deste modo passaria a existir uma nítida divisão
  37. entre o mundo exterior, político, no qual só quem fala é o monarca, e o mundo interior, em que o
  38. indivíduo esconde a sua consciência. É justamente aí, no espaço secreto da consciência, que vai se
  39. desenvolver o Iluminismo, ou Esclarecimento.
  40. O processo do Esclarecimento é a projeção para o mundo público desta nova racionalidade. Isso
  41. terá um impacto ainda maior na medida em que o século XVIII vai conhecer uma inédita expansão da
  42. alfabetização e um significativo barateamento da produção de textos. Um autor que simboliza esta
  43. transposição de atitude de um mundo privado e científico para um mundo público e político é John
  44. Locke. Para ele, a capacidade individual de formar juízo existe independente da vontade do soberano,
  45. independente da autorização estatal, e extrapola a consciência individual. A sociedade se submete às
  46. suas próprias leis morais, que têm a mesma importância das leis civis. Forma-se, paulatinamente, a
  47. chamada “opinião pública”, capaz de definir o que é uma ação virtuosa – que deve ser encorajada, e
  48. uma ação viciosa – que é objeto de censura.

Adaptado de: ELIAS, R. Os filósofos do século XVIII só concordavam em um único ponto: podiam discordar, publicamente, usando a razão. Disponível em: <http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/essa-luzEssa luz>. Acesso em: 1 out. 2014.

Considere os seguintes segmentos retirados do texto.


1. trevas da ignorância (l. 4)

2. tradições cristãs (l. 5-6)

3. ideias luminosas (l. 7)

4. conflitos religiosos (l. 34)


Quais desses segmentos apresentam emprego de linguagem metafórica?



A

Apenas 1 e 2.



B

Apenas 1 e 3.



C

Apenas 3 e 4.



D

Apenas 2, 3 e 4.



E

1, 2, 3 e 4.