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Macramê
Ana Lina
Continuava sentada naquela cadeira completamente muda. Muda a cadeira. Muda ela também, rangendo todo aquele silêncio como o seu sapato amarelo apertado.
A cadeira, amiga há anos, fora da avó, depois de sua mãe e agora dela passaria para quem?
Há anos ela vivia sozinha.
Ali, sob os olhos daquela noite de azul em festa, sentada na calçada daquela rua torta e ladeira preguiçosa, debaixo de um poste de luz que poderia se passar facilmente por uma lua para qualquer coração distraído, ela e a cadeira eram surpreendidas pelo tamanho do mundo. Várias pequenas casas ainda não adormecidas; nuvens correndo lentas; folhas suicidas dançando do alto das copas das árvores e gargalhando nos vidros das janelas, nos contornos côncavos do telhado… Uma matilha de vaga-lumes sonâmbulos abanando luz junto aos braços do vento… Sabia todo o tempo solto dentro dela… Sabia a cadeira solta no mundo.
Texto extraído de: http://autoressaconcursosliterarios.blogspot.com.br/20 13/05/os-20-minicontos-classificados.html
Na oração “Sabia a cadeira solta no mundo.”, o sintagma sublinhado desempenha função de:
Objeto indireto.
Vocativo.
Objeto direto.
Aposto.