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Os relatos de medo, dor e surpresa em Brumadinho
Moradores dizem que sirenes de alerta não tocaram
Por Bárbara Ferreira e Camila Bastos
Para quem mora em Brumadinho (MG), na Região
Metropolitana de Belo Horizonte, a última sexta-feira do mês
de janeiro trouxe uma tragédia que pode superar em número
de vítimas o desastre de Mariana, na região central do estado,
há três anos. Testemunhas descrevem o momento do
rompimento da Barragem 01, da Mina do Feijão, falam do
medo de não rever familiares e conhecidos, e dizem que as
sirenes de alerta não tocaram no momento da ruptura da
barragem. Até a noite desta sexta-feira, o governo de Minas
havia confirmado o resgaste de sete corpos e cerca de 150
desaparecidos em Brumadinho.
O técnico de eletromecânica Maicon Vitor, de 22 anos,
viu a destruição chegar assim que saiu do refeitório da
empresa. Ele havia acabado de almoçar e seguia para o
vestiário quando ouviu a barragem romper.
— Desceu arrastando oficinas, escritórios, o refeitório
tudo que estava na frente foi embora – disse ele, que deixou
para trás 14 amigos e a mãe, motorista da mina.
Maicon contou como escapou para a rota de fuga –
estabelecida pela Vale e ensinada em treinamentos – com
outros cerca de 40 funcionários.
— Depois que a barragem desceu, eu e mais dois
voltamos para ajudar no resgaste – disse ele.
Além de auxiliar no salvamento de duas mulheres, eles
também retiraram dos escombros o corpo de um motorista da
empresa.
O bombeiro civil D. resume como um “cenário de
completa destruição” o que encontrou ao chegar ao local. Ele,
que preferiu não se identificar, diz que foi uma das primeiras
pessoas a acessar a área da mineradora.
— Não ouvi a sirene tocar. Logo que cheguei, sabia
que havia muitos mortos. Conseguia ver partes dos corpos.
Havia poucas pessoas no local e logo o resgate começou a
chegar. Era um completo caos. Desde o início eu sabia que
sobreviventes seriam poucos — relatou D.
A falha no equipamento de segurança também foi
relatada por Maicon Vitor, que ouviu o barulho da tragédia,
mas garante o silêncio das sirenes. Mesmo atônito com a
situação, ele permaneceu no local para auxiliar nas buscas.
— Todo mundo que não foi soterrado permaneceu
aqui. Estamos esperando informações — disse ele.
[...]
Disponível em https://oglobo.globo.com/brasil/os-relatos-de-medo-dor-surpresaem-brumadinho-23404274
Analise: “Todo mundo que não foi soterrado permaneceu aqui” e assinale a alternativa que apresenta o sujeito da oração.
Simples.
Composto.
Oculto.
Indeterminado.