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Na minha vila, a única vila do mundo, as mulheres sonhavam com vestidos novos para saírem. Para serem abraçadas pela felicidade. A mim, quando me deram a saia de rodar, eu me tranquei em casa. Mais que fechada, me apurei invisível, eternamente nocturna. Nasci para cozinha, pano e pranto. Ensinaram-me tanta vergonha em sentir prazer, que acabei sentindo prazer em ter vergonha. Belezas eram para as .mulheres de fora. Elas desencobriam as pernas para maravilhações.[...] Estava tão habituada a não ter motivo, que me enrolei no velho sofá. Olhei a janela e esperei que, como uma doença que passa, a noite passasse. No dia seguinte, as outras chegariam e me falariam do baile, das lembranças cheias de riso matreiro. E nem inveja sentiria. Mais que o dia seguinte, eu espera pela vida seguinte.
Em relação à linguagem empregada por Mia Couto, no fragmento de "A saia almarrotada", pode-se afirmar que:
O autor explorou abundantemente a modalidade padrão do português usado em Moçambique, que é igual ao português brasileiro.
Mia Couto explorou a linguagem oral, reinventou uma escrita para outro público. A marca da oralidade revela o cotidiano e a condição social da personagem.
A linguagem explorada pelo autor nesse fragmento comprometeu a lógica da sequência narrativa.
A linguagem usada pelo autor está permeada de gírias regionais.
Considerando que é uma narrativa literária, existe a obrigatoriedade do nível de linguagem, predominantemente coloquial, empregado na construção desse texto.