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AS QUESTÕES DE 21 A 36 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO
1 _____ No Brasil, a verdadeira social-democracia está dispersa. Depois de anos de experiência progressista de governo,
2 entre avanços sociais e desvios éticos e programáticos, muitos jovens militantes, sindicalistas, estudantes e intelectuais
3 fragmentaram-se em pequenos coletivos ou grupos de discussão. Os que permaneceram nas vidas partidárias e das grandes
4 organizações muitas vezes têm dificuldades internas de exprimir seus pontos de vista e sentem-se desconfortáveis com
5 camisas e rótulos que não lhes servem. Mas quem são os social-democratas? O que é a social-democracia brasileira?
6 _____ O termo, identificado com o socialismo reformista, ao menos desde a grande cisão no movimento socialista
7 internacional ocorrido em 1919, passou por grandes ressignificações ao longo do século XX. Se os social-democratas
8 estiveram à frente da implementação de uma série de reformas sociais fundamentais por onde governaram, seus partidos
9 e organizações não ficaram imunes à crise das grandes utopias e às próprias mudanças estruturais no mercado e no mundo
10 do trabalho. Nas últimas décadas, a social-democracia no governo contentou-se em “humanizar o existente”, aplicando,
11 com mediações pontuais e contrapontos identitários, o programa do neoliberalismo.
12 _____ Nessa situação, tal significante deveria ser pouco mais que uma curiosidade histórica ou, como de fato ocorre,
13 um adorno ideológico para partidos de direita. Por que então o termo continua importante para tanta gente na esquerda?
14 Correndo um risco da simplificação, responder a essa questão pode servir para simbolizar o desconforto e a diáspora
15 comum a muitos que querem seguir um novo rumo e, ao mesmo tempo, livrar a si mesmos de representações que
16 consideram, a um só tempo, anacrônicas e redutoras.
17 _____ Em primeiro lugar, social-democratas de hoje não utilizam a muleta teórica da “dialética” para disfarçar a falta
18 de imaginação política. Sabem que a resposta não será dada “no processo histórico” e que são absolutamente responsáveis
19 por ter ou não respostas aos problemas dos cidadãos, por saber ou não implementá-las de modo eficiente. Para os social20 democratas existem soluções boas e ruins, mas não existe o lado certo da história.
21 _____ Em segundo lugar, social-democratas aprenderam, seja na luta contra a ditadura, seja na construção da
22 democracia contra o Estado oligárquico e de exceção, a importância das liberdades individuais e das garantias
23 democráticas. Para eles, a radicalização da democracia não é apenas o fortalecimento do assembleísmo, mas a valorização
24 profunda da autonomia e da reflexividade humanas. Para os social-democratas, não existem bons e maus ditadores e a
25 existência do fascismo não é uma desculpa para adotar práticas similares àquelas do fascismo, mas dobrar a aposta na
26 democracia.
27 _____ Em terceiro lugar, por não acreditarem em filosofias da história enigmáticas e valorizarem a reflexividade,
28 social-democratas revisam periodicamente seus programas, desafiam seus dogmas e sacrificam verdades consagradas ao
29 altar das melhores evidências disponíveis. Ao superar, por exemplo, a disputa hidráulica entre mais Estado e menos
30 mercado e vice-versa, sabem que ambos são apenas instrumentos maleáveis a serviço da transformação social.
31 _____ A verdadeira social-democracia brasileira merece se reunir mais uma vez como força política unificada. Por
32 ora, oscila entre o desconforto da adesão às alternativas sociais-liberais e a convivência com discursos e referências
33 estéticas de uma esquerda anacrônica, aguardando o momento de construir uma força radicalmente democrática e que
34 possa liberar, contra todos os tipos de determinismo, a imaginação institucional a serviço de um mundo melhor.
35 _____ Social-democratas também enfrentam seus dilemas. Confrontam-se permanentemente com o fantasma da mera
36 humanização do existente, como se a distribuição marginal da renda fosse o horizonte último de seus esforços. Por isso,
37 muitos preferem assumir outras identidades, que os lembrem dos fundamentos utópicos de seu nascimento, dos sonhos
38 de emancipação do trabalho e do engrandecimento de homens e mulheres comuns. Justamente por adotar, no presente, a
39 prática como critério da verdade é que são, porém, genuinamente social-democratas.
40 _____ No Brasil, contra as versões sociais-liberais genéricas, os verdadeiros social-democratas também sabem muito
41 bem da vocação colonial e golpista das elites brasileiras, não acreditam no discurso que as instituições, muitas vezes
42 oligárquicas e partidarizadas, fazem sobre si mesmas. Criticam duramente o oligopólio dos meios de comunicação. Por
43 outro lado, contra seus pares niilistas, usam a crítica, mais uma vez, para dobrar a aposta democrática e não para reificar
44 as instituições como meras mistificações de classe.
FONTE: https://www.cartacapital.com.br/blogs/conjunturando/em-busca-da-social-democracia-brasileira/
“...que são, porém, genuinamente social-democratas.” (L.39)
A palavra “que”, na oração em evidência, tem o mesmo valor morfológico do “que” da oração na alternativa
“...que não lhes servem” (L.5).
“que são absolutamente responsáveis” (L.18).
“que possa liberar” (L.33/34).
“que os lembrem dos fundamentos utópicos de seu nascimento,” (L.37).