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Um termo foi empregado em sentido conotativo em

Leia atentamente o texto a seguir para responder às questões de 01 a 10.


Com tragédia e bom humor, ‘Parasita’ é um dos grandes filmes do ano


Vencedor da Palma de Ouro em Cannes,

Bong Joon-Ho compõe quadro dramático da Coreia do Sul

Inácio Araujo


  1. No centro de “Parasita” existe um buraco negro. Ele separa, numa
  2. imponente mansão, a área social do lugar que os pobres frequentam, uns para
  3. viver, outros para se digladiar.
  4. A atenção dada ao lugar por Bong Joon-ho, autor do filme que levou a
  5. Palma de Ouro em Cannes neste ano, é evidente. Ela é marcada por ligeiros
  6. travellings, movimento de câmera no qual ela se desloca pelo espaço, cada vez
  7. – ou quase – que a passagem aparece.
  8. Essa passagem delimita dois mundos – o dos ricos e o dos pobres.
  9. Embora contíguas, essas duas categorias (ou classes sociais) vivem em
  10. mundos à parte. No dos ricos, só o homem trabalha, mantém a sua empresa,
  11. enquanto a mulher mal se ocupa da casa, com a ajuda de uma governanta. A
  12. mãe se preocupa obsessivamente com o filho, que certa noite, conforme sua
  13. narrativa, viu um fantasma (uma cabeça que apareceu no buraco negro,
  14. justamente). A família vive sem nenhuma preocupação, e essa ausência de
  15. preocupação parece engendrar uma incapacidade de lidar com o mundo dos
  16. pobres, que ignora.
  17. Do outro lado, existem os pobres, os vigaristas. Mas também podem ser
  18. chamados de artistas, tanto faz. O importante para eles não é como são
  19. chamados, mas a capacidade que desenvolvem de representar vários papéis
  20. (professores, motorista, governanta), de modo a se introduzir na mansão e
  21. desfrutar dos salários pagos pelos ricos.
  22. Não se trata de um assalto ou coisa assim. Por vezes, aproveitadores,
  23. sem dúvida. Seu problema não é esse, mas sim a existência de um bunker
  24. projetado para acolher a rica família em caso de ataque.
  25. Daí nascerá o real conflito do filme, em que pobres e pobres se
  26. enfrentam por um bom tempo, enquanto os ricos mal percebem o que se passa.
  27. As consequências virão para todos, é verdade, mas isso diz respeito à intriga,
  28. muito original, mas sobretudo reveladora de certos desequilíbrios que afetam a
  29. Coreia do Sul.
  30. Num país admirado mundialmente, admirável mesmo, pela maneira
  31. agressiva como passou do subdesenvolvimento a um invejável avanço
  32. tecnológico e cultural, o progresso parece ter deixado – ao menos é o ponto de
  33. vista do filme – rastros de seu ritmo vertiginoso nas relações entre as pessoas e
  34. as classes sociais.
  35. Os ricos são marcados aqui por viverem alienados num mundo
  36. particular em que até mesmo a existência dos pobres é ignorada. Os pobres
  37. são relegados a subempregos e condenados a viver em pardieiros, afligidos por
  38. dificuldades de todo tipo.
  39. Tudo isso seria banal, se não fosse a condução formidável de Joon-ho.
  40. Ao filme não falta humor nem tragédia, não falta um ritmo ágil, simplicidade e
  41. eficácia nos enquadramentos e na direção de atores.
  42. Não falta um visão aguda dos desequilíbrios de uma sociedade que já
  43. povoaram seus filmes com monstros (“O Hospedeiro”), com mães protetoras
  44. (“Mother”), com crimes em série (“Memórias de um Assassino”, seu melhor
  45. filme).
  46. Do terror ao policial, da violência ao fantástico, Joon-ho vai compondo,
  47. filme a filme, um quadro notável, talentoso e original desse país que nos parece
  48. a princípio tão distante, mas de certos pontos de vista nos é tão familiar, já que
  49. esses buracos negros, pelos quais se escoa o mal-estar da civilização, estão

em toda parte. “Parasita” é, de longe, um dos grandes filmes deste ano

carregado de bons filmes.


Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/11/com-tragedia-e-bom-humor-parasita-e-um-dos-grandes-filmes-do-ano.shtml

Acessado em 6 de janeiro de 2020

Um termo foi empregado em sentido conotativo em


A

A atenção dada ao lugar por Bong Joon-ho, autor do filme que levou a Palma de Ouro em Cannes neste ano, é evidente (linhas 4 e 5).


B

A família vive sem nenhuma preocupação, e essa ausência de preocupação parece engendrar uma incapacidade de lidar com o mundo dos pobres, que ignora (linhas 14 a 16).


C

Seu problema não é esse, mas sim a existência de um bunker projetado para acolher a rica família em caso de ataque (linhas 23 e 24).


D

Ao filme não falta humor nem tragédia, não falta um ritmo ágil, simplicidade e eficácia nos enquadramentos e na direção de atores (linhas 40 e 41).