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Considere estas orações: I. Pestana era um célebre...

Atenção: Para responder às questões de números 9 a 14, baseie-se no texto abaixo.


Vocação e ambição


Machado de Assis tem um conto admirável – “Um homem célebre” – que narra a história de um famoso e prestigiado compositor popular do Rio do século XIX, um tal de Pestana, que em vez de gozar o sucesso de cada uma de suas composições ligeiras e dançantes, vivia atormentado por não compor nada à altura de um Mozart, de um Beethoven. Cada vez que uma composição sua atingia em cheio o gosto popular, o maestro oculto que havia nele sofria o sucesso fácil como uma sentença de morte. Machado resumiu assim a vida dramática desse músico ao mesmo tempo celebrado e infeliz: “Eterna peteca entre a ambição e a vocação”.

A frase é forte: o jogo da peteca realiza o sofrido movimento de pêndulo de cada divisão nossa, que nunca encontra um ponto de equilíbrio. Ser jogado eternamente de um lado para outro, sem repouso, é de enlouquecer. É a oposição contínua entre duas forças que nos dividem e fazem sofrer: a força que está na inclinação natural para atender a uma vocação já instalada em nós e a força pela qual pretendemos atingir uma altura que está longe dos nossos recursos. No caso de Pestana, a aclamação pública que cada música sua atingia não compensava de modo algum a falta de realização de seus mais altos projetos pessoais.

Com esse conto, Machado lembra que há quem não se contente em ser uma celebridade, sobretudo quando julga vazia essa celebração; há ainda quem busque alcançar a aprovação pública pelo valor efetivo de uma mais alta realização criativa. Essa busca, para desgraça nossa, é sofrida, e pode nos levar a dançar de um lado para outro. A saída estaria em identificarmos precisamente qual é a nossa vocação, para estabelecermos a partir dela os contornos da nossa ambição.


(TOLEDO, Cristiano. A publicar)

Considere estas orações:


I. Pestana era um célebre compositor popular.

II. Pestana almejava ser um compositor clássico.

III. O sucesso popular atormentava o Pestana.


Essas três orações articulam-se com correção, clareza e coesão neste período único:


A

Almejando ser um compositor clássico, atormentava-se o Pestana ao ser celebrado como um compositor popular.


B

Malgrado Pestana se atormentasse como um celebrado compositor popular, ele almejava ser em vez disso um artista clássico.


C

Pestana, que almejava ser um compositor clássico, ainda assim lhe atormentava por que se celebrara como um compositor popular.


D

O tormento que Pestana sentia por ser célebre enquanto fosse popular, não lhe diminuía o desejo de sê-lo como compositor clássico.


E

Ser um popular compositor célebre só atormentaria aquele Pestana, em quem a música clássica era almejada mais que tudo.