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Em “[...] quem sabe se eu era um cisne.”, constata-se a...

TEXTO PARA AS QUESTÕES 9 E 10


O primeiro livro de cada uma de minhas vidas


Perguntaram-me uma vez qual fora o primeiro livro de minha vida. Prefiro falar do primeiro livro de cada uma das minhas vidas. Busco na memória e tenho a sensação quase física nas mãos ao segurar aquela preciosidade: um livro fininho que contava a história do patinho feio e da lâmpada de Aladim. Eu lia e relia as duas histórias, criança não tem disso de só ler uma vez: criança quase aprende de cor e, mesmo quase sabendo de cor, relê com muito da excitação da primeira vez. A história do patinho que era feio no meio dos outros bonitos, mas quando cresceu revelou o mistério: ele não era pato e sim um belo cisne. Essa história me fez meditar muito, e identifiquei-me com o sofrimento do patinho feio – quem sabe se eu era um cisne?

Quanto a Aladim, soltava minha imaginação para as lonjuras do impossível a que eu era crédula: o impossível naquela época estava ao meu alcance. A ideia do gênio que dizia: pede de mim o que quiseres, sou teu servo – isso me fazia cair em devaneio. Quieta no meu canto, eu pensava se algum dia um gênio me diria: “Pede de mim o que quiseres”. Mas desde então revelava-se que sou daqueles que têm que usar os próprios recursos para terem o que querem, quando consegue.


LISPECTOR, Clarice. O primeiro livro de cada uma de minhas vidas (Fragmento). In: LISPECTOR, Clarice. Aprendendo a Viver. Rio de Janeiro: Rocco, 2004. Disponível em: https:// www.rocco.com.br/pnld2018/aprendendoaviver/docs/ trecho_aprendendo_a_viver.pdf. Acesso em: 10 jul. 2022.

Em “[...] quem sabe se eu era um cisne.”, constata-se a presença de uma metáfora, como recurso estilístico do texto. Essa mesma figura de linguagem está presente em:


A

“A maior parte do tempo de um escritor é passado na leitura, para depois escrever” (Samuel Johnson).


B

“A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas, por incrível que pareça, a quase totalidade não sente esta sede” (Carlos Drummond de Andrade).


C

“Em ciência leia sempre os livros mais novos. Em literatura, os mais velhos” (Millôr Fernandes).


D

A palavra “leitura” deriva do Latim "lectura", originalmente com o significado de "eleição, escolha, leitura" (Dicionário de Significados).


E

“Não existem livros morais ou imorais. Os livros são bem ou mal escritos” (Oscar Wilde).