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Texto 2
A casa das palavras
Eduardo Galeano
Na casa das palavras, sonhou Helena
Villagra, chegavam os poetas. As palavras,
guardadas em velhos frascos de cristal,
esperavam pelos poetas e se ofereciam, loucas de
5-vontade de ser escolhidas: elas rogavam aos
poetas que as olhassem, as cheirassem, as
tocassem, as provassem. Os poetas abriam os
frascos, provavam palavras com o dedo e então
lambiam os lábios ou fechavam a cara. Os poetas
10 andavam em busca de palavras que não
conheciam, e também buscavam palavras que
conheciam e tinham perdido.
Na casa das palavras havia uma mesa das
cores. Em grandes travessas as cores eram
15 oferecidas e cada poeta se servia da cor que
estava precisando: amarelo-limão ou amarelo-sol,
azul do mar ou de fumaça, vermelho-lacre,
vermelho-sangue, vermelho-vinho...
GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Trad. Eric Nepomuceno.
15. ed. Porto Alegre: L&PM, 2021. p. 19.
A prosa poética de Eduardo Galeano apresenta, predominantemente, o emprego
do período composto por coordenação, por causa da dissertação.
do conector “e”, por causa da simultaneidade das ações.
do pretérito imperfeito do indicativo, por causa da descrição.
da estrutura com verbo transitivo, por causa da prolixidade.
da inversão sintática de termos, por causa do ritmo das frases.