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TEXTO II
O Ano Passado
Carlos Drummond de Andrade
O ano passado não passou,
continua incessantemente.
Em vão marco novos encontros.
Todos são encontros passados.
As ruas, sempre do ano passado,
e as pessoas, também as mesmas,
com iguais gestos e falas.
O céu tem exatamente
sabidos tons de amanhecer,
de sol pleno, de descambar
como no repetidíssimo ano passado.
Embora sepultos, os mortos do ano passado
sepultam-se todos os dias.
Escuto os medos, conto as libélulas,
mastigo o pão do ano passado.
E será sempre assim daqui por diante.
Não consigo evacuar
o ano passado.
Disponível em:<https://www.escritas.org/pt/t/10938/o-ano-passado>. Acesso em 14 jan. 2020.
Assinale a alternativa INCORRETA sobre o poema “O Ano passado”, de Carlos Drummond de Andrade.
Para o eu-lírico, os marcos temporais que delimitam o fim de um ano e início de outro não são suficientes para acarretar mudanças entre os anos que se sucedem.
Ao observar a natureza, o eu-lírico vislumbra uma ordem cronológica e cíclica.
O eu-lírico percebe que os mortos não desaparecem repentinamente, a lembrança do que foram e fizeram estingue-se no decorrer do tempo.
O eu-lírico constata que não é possível desapegar-se do passado tanto por questões internas quanto por fatores externos a si.
O eu-lírico sente-se culpado pela rotina repetitiva em que se insere, pois não se desapega do ano anterior.