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Observe o uso da crase nos excertos abaixo:I...

POR UMA PEDAGOGIA AMBIENTAL

Marcus Eduardo de Oliveira

  1. Enquanto a aquisição de bens de consumo suntuosos continuar sendo toscamente confundida como símbolo de
  2. prosperidade, sucesso e possibilidade de ascensão social, determinando padrões distorcidos de conduta, certamente a
  3. humanidade retrocederá cada vez mais em termos de valores e princípios.
  4. Se não bastasse essa distorção de valores que prioriza o ''ter'', a sociedade de consumo deve sempre ser vista
  5. também como inimiga número um do meio ambiente. Se de fato desejamos habitar um mundo melhor, como é de senso
  6. comum, é de fundamental importância que todos desenvolvam visões diferenciadas sobre a natureza e o
  7. comportamento concernente à prática de consumo, não perdendo de vista que a poluição dos rios, do ar, o desgaste do
  8. solo, a perda de florestas e o desaparecimento de espécies animais e vegetais estão intimamente relacionados ao
  9. considerável aumento de energia, água e serviços ecossistêmicos usados largamente para manter elevadas taxas de
  10. produção atendendo assim essa sociedade de consumo.
  11. Nossas relações sociais jamais podem se pautar e muito menos se fortalecer a partir das quantidades que
  12. consumimos; urge, definitivamente, romper-se com esses hábitos perdulários e consumistas. Qualidade de vida não
  13. pode estar associada à conquista material. Curvar-se a isso é restringir, pelas vias mais rasteiras possíveis, a própria
  14. vida a uma questão mercadológica.
  15. Romper com essa ideia é imprescindível para a construção de um mundo ecologicamente mais equilibrado e
  16. saudável, respeitando a natureza e sabendo que mais produção é sinônimo de mais poluição, assim como menos
  17. consumo é sinônimo de mais vida. Somente alcançaremos essa ruptura quando todos estiverem imbuídos de um
  18. mesmo ideal, criando consciência necessária para entender que o planeta não absorverá a parcela global da população
  19. mundial no ambiente de consumo em decorrência da finitude dos recursos naturais. Logo, não adianta incorporar o
  20. mercado de consumo; lá não há espaços para todos. Definitivamente, esse mercado precisa ser desinchado.
  21. Para isso, um passo importante rumo a esse ambiente mais saudável é levar informações a todos e,
  22. principalmente, àqueles que serão encarregados de usufruírem o mundo num futuro próximo; ou seja, aqueles que
  23. literalmente ''farão'' esse mundo próximo. Nesse sentido, educar ambientalmente as crianças de hoje desde os anos
  24. iniciais de estudos é um bom caminho a ser percorrido. Nossos jovens alunos precisam aprender e praticar a pedagogia
  25. ambiental.
  26. Essa pedagogia ambiental deve ser ensinada levando-se em conta que não é necessária maior produção para
  27. atender as reclamações vindas do mercado de consumo. O que já tem por aí em termos de mercadorias é suficiente
  28. para atender a todos. A necessidade se restringe em dirimir as desigualdades de consumo em que 20% da população
  29. que habita os países do hemisfério norte ''engolem'' 80% de tudo o que é produzido, gerando mais de 80% da poluição e
  30. degradação dos ecossistemas, ao passo que ''sobra'' apenas 20% da produção material para 80% da população dos
  31. países localizados no hemisfério sul.
  32. Caberá a essa pedagogia ambiental, em forma de disciplina inserida na grade curricular, realçar o fato de que a
  33. excessiva exploração dos recursos naturais para ''sustentar'' a insustentável sociedade consumista é geradora mor de
  34. desigualdades e potencialmente criadora da insustentabilidade ambiental e social ora presenciada.

Fonte: http://revistasustentabilidade.com.br/por-uma-pedagogia-ambiental/ (TRECHO)

Observe o uso da crase nos excertos abaixo:


I. "principalmente, àqueles que serão encarregados" (l.22)


II. "sobre a natureza e o comportamento concernente à prática de consumo" (l.06-07)


III. "não pode estar associada à conquista material" (l.12-13)


A

Em I, a crase ocorre devido ao advérbio "principalmente", anteriormente separado por vírgulas.


B

Em I, o pronome "àquele" une-se à preposição "a" por ser masculino, sendo a única exceção do uso de crase em palavras masculinas.


C

Em II e III, a crase é utilizada seguindo a regra geral.


D

Em III, não haveria crase se o termo "conquista material" fosse substituído por "matéria".


E

Em II, substituindo o pronome "àquele" pela preposição "a" e pelo artigo "o", a crase permaneceria.