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Considere o trecho apresentado a seguir:O destino me...

Leia o texto a seguir para responder às questões de números 11 a 19.


O achado


Jamais em minha vida achei na rua ou em qualquer parte do globo um objeto qualquer. Há pessoas que acham carteiras, joias, promissórias, animais de luxo, e sei de um polonês que achou um piano na praia do Leblon. Mas este escriba, nada: nem um botão.

Por isso, grande foi a minha emoção ao deparar, no assento do ônibus, com uma bolsa preta de senhora. O destino me prestava esse pequeno favor: completava minha identificação com o resto da humanidade, que tem sempre para contar uma história de objeto achado; e permitia-me ser útil a alguém, devolvendo o que lhe faria falta.

A bolsa pertencia certamente à moça morena que viajara ao meu lado, e de quem eu vira apenas o perfil. Sentara-se, abrira o livro e mergulhara na leitura. Absorta na leitura, ao sair esquecera o objeto, que só me atraiu a atenção quando o ônibus já ia longe.

Mas eu não estava preparado para achar uma bolsa, e comuniquei a descoberta ao passageiro mais próximo:

– A moça esqueceu isto.

Ele, sem dúvida mais experimentado, respondeu simplesmente:

– Abra.

Hesitei: constrangia-me abrir a bolsa de uma desconhecida ausente; nada haveria nela que me dissesse respeito.

– Não é melhor que eu entregue ao motorista?

– Complica. A dona vai ter dificuldade em identificar o ônibus. Abrindo, o senhor encontra um endereço, pronto.

Era razoável, e diante da testemunha abri a bolsa, não sem experimentar a sensação de violar uma intimidade. Procurei a esmo entre as coisinhas, não achei elemento esclarecedor. Era isso mesmo: o destino me dava as coisas pela metade. Fechei-a depressa.

– Leve para casa – ponderou meu conselheiro, como quem diz: – É sua. Mas acrescentou: – procure direito e o endereço aparece.

Como ele também descesse logo depois, vi-me sozinho com a bolsa na mão.


(Carlos Drummond de Andrade, “A bolsa e a vida”. In: Joaquim Ferreira dos Santos (org.) As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. Adaptado)

Considere o trecho apresentado a seguir:


O destino me prestava esse pequeno favor: completava minha identificação com o resto da humanidade...


Alterando apenas o tempo dos verbos destacados para o tempo presente, sem qualquer outro ajuste, tem-se, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa:


A

O destino me prestará esse pequeno favor: completará minha identificação com o resto da humanidade...


B

O destino me prestou esse pequeno favor: completou minha identificação com o resto da humanidade...


C

O destino me prestaria esse pequeno favor: completaria minha identificação com o resto da humanidade...


D

O destino me prestasse esse pequeno favor: completasse minha identificação com o resto da humanidade...


E

O destino me presta esse pequeno favor: completa minha identificação com o resto da humanidade...