Imagem de fundo

Mulher de 74 anos, com histórico de insuficiência cardíaca...

Mulher de 74 anos, com histórico de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (FEVE: 32%) secundária a cardiopatia isquêmica crônica e doença renal crônica estágio 3a (creatinina: 1,4 mg/dL), é admitida no departamento de emergência. Ela relata piora progressiva da dispneia, nos últimos cinco dias, ortopneia, episódios de dispneia paroxística noturna e edema de membros inferiores. Refere que abusou do consumo de alimentos industrializados ricos em sal recentemente. Ao exame físico: pressão arterial: 152 x 88 mmHg; frequência cardíaca: 112 bpm (irregular); frequência respiratória: 26 ipm; em ar ambiente: 88%; nota-se turgência venosa jugular evidente a 45 graus (3+/4+); cardíaco: bulhas arrítmicas e terceira bulha (B3) em foco mitral; pulmonar: estertores crepitantes bilaterais que se estendem até os dois terços inferiores de ambos os campos pulmonares; edema simétrico importante (3+/4+) estendendo-se até os joelhos. Exames séricos: hemoglobina: 12,4 g/dL; creatinina: 1,7 mg/dL; potássio: 4,1 mEq/L; sódio: 132 mEq/L; bicarbonato: 28 mEq/L; troponina I: 0,08 ng/mL (normal: < 0,03); NT-proBNP: 4.800 pg/mL. Eletrocardiograma: fibrilação atrial com alta resposta ventricular e critérios de sobrecarga ventricular esquerda com alterações inespecíficas da repolarização ventricular. O paciente é colocado em ventilação não invasiva de 2 níveis (BiPAP) e tratado com medicações parenterais.

Segundo as informações apresentadas, é correto afirmar:


A

a ocorrência de pequenas elevações na creatinina sérica, durante a terapia diurética agressiva, pode refletir hemoconcentração e descongestão eficaz, não devendo motivar a suspensão rotineira do tratamento na ausência de outros sinais de injúria renal.


B

a infusão contínua de diuréticos de alça demonstra superioridade em termos de sobrevida global e redução de desfechos duros quando comparada à estratégia de administração em bolus na abordagem inicial da hipervolemia.


C

a suspensão imediata de inibidores do cotransportador sódio-glicose 2 (SGLT2) deve ser realizada na admissão de pacientes hipervolêmicos para evitar o bloqueio da diurese proximal.


D

a visualização de infiltrados pulmonares essencialmente periféricos com preservação da zona perihilar à radiografia de tórax representa um sinal clássico de edema pulmonar cardiogênico.


E

o desenvolvimento de alcalose metabólica induzida pela terapia diurética de alça decorre primariamente de um defeito adquirido na reabsorção de íons cloreto ao nível do túbulo contorcido distal.